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	<title>Arquivos crédito pessoal - Blog Impacto - FGV EAESP Pesquisa</title>
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	<description>O Blog Impacto é uma iniciativa da FGV EAESP Pesquisa para disseminar o conhecimento produzido na instituição.</description>
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		<title>Superendividamento das famílias cresce no Brasil e acende alerta sobre crédito caro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gisele Gaia]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 11:00:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Administração de empresas]]></category>
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<p>O estudo foi desenvolvido pelos pesquisadores Lauro Gonzalez, Rafael Schiozer e Matheus Carrijo, do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira, FGVcemif. A pesquisa utiliza dados públicos do Banco Central para construir o Índice de Desconforto de Crédito (IDC), uma métrica que reúne informações sobre inadimplência, comprometimento de renda e qualidade do crédito contratado pelas famílias brasileiras.</p>
<p>Para chegar ao índice, os pesquisadores analisaram séries históricas do Sistema Financeiro Nacional desde 2014. O objetivo foi criar uma ferramenta capaz de mostrar não apenas o volume de dívidas, mas também a pressão financeira causada pelo tipo de crédito utilizado pela população.</p>
<h1>Superendividamento das famílias no Brasil avança com crédito mais caro</h1>
<p>O estudo mostra que o crescimento do crédito no Brasil ocorreu principalmente entre pessoas físicas. Porém, em vez de aumentar em modalidades mais seguras e ligadas à formação de patrimônio, como o crédito imobiliário, a expansão se concentrou em linhas voltadas ao consumo imediato.</p>
<p>Entre elas estão o cartão de crédito rotativo, o crédito pessoal e o consignado. Essas modalidades costumam ter juros elevados e, além disso, são ofertadas de forma cada vez mais agressiva por plataformas digitais e aplicativos financeiros.</p>
<h2>Dívidas pesam mais no orçamento das famílias</h2>
<p>Como consequência, o peso das dívidas no orçamento aumentou significativamente. Segundo os dados analisados, a cada R$ 100 de renda familiar, cerca de R$ 29,30 já estão comprometidos com pagamento de dívidas e juros. Esse cenário ajuda a explicar o crescimento do superendividamento das famílias no Brasil, especialmente entre consumidores que dependem de modalidades de crédito com juros elevados.</p>
<p>Além disso, o levantamento aponta que quase metade dos adultos brasileiros possui dívidas em atraso. Em março de 2026, cerca de 80 milhões de CPFs estavam negativados no país.</p>
<p>Para medir esse cenário, os pesquisadores criaram o IDC, que combina três fatores principais: inadimplência, comprometimento de renda e qualidade do crédito. Na prática, o índice busca entender não apenas se as famílias estão endividadas, mas também o quanto essas dívidas afetam sua qualidade de vida.</p>
<p>Durante a pandemia, o indicador caiu temporariamente devido aos programas de renegociação oferecidos pelos bancos e às políticas emergenciais. Entretanto, no período pós-pandemia, o desconforto financeiro voltou a crescer rapidamente.</p>
<p>O IDC atingiu 0,94 em janeiro de 2026, o maior patamar registrado desde o início da série histórica. Isso significa que o desconforto financeiro das famílias brasileiras chegou a 94% do maior nível possível dentro da metodologia criada pelos pesquisadores.</p>
<p>Segundo os pesquisadores, uma das principais novidades do índice é considerar a qualidade do crédito contratado. Isso porque dívidas mais caras tendem a ampliar o risco de superendividamento e reduzir a sensação de bem-estar financeiro das famílias.</p>
<h3>Pesquisa aponta necessidade de mudanças estruturais</h3>
<p>Os pesquisadores também alertam que programas de renegociação, como o Desenrola, ajudam apenas no curto prazo. Embora tragam alívio temporário, eles não resolvem problemas estruturais do mercado de crédito brasileiro.</p>
<p>Por isso, o estudo defende medidas mais amplas, como maior supervisão sobre modalidades de crédito sem garantia, limites para empréstimos considerados mais arriscados e mudanças regulatórias que reduzam a dependência das famílias em linhas de crédito com juros elevados.</p>
<p>Ao reunir diferentes dimensões do endividamento em um único indicador, o IDC oferece uma visão mais completa da realidade financeira das famílias brasileiras. Além disso, o estudo reforça a importância de políticas públicas voltadas não apenas ao acesso ao crédito, mas também à qualidade e sustentabilidade desse acesso ao longo do tempo.</p>
<p>Leia <a href="https://eaesp.fgv.br/producao-intelectual/indice-desconforto-credito-idc">o artigo na íntegra.</a></p>
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