• Sobre o Blog Impacto
  • FGV EAESP
  • FGV EAESP Pesquisa
  • Acontece
    • Notícias
    • Eventos
  • Para alunos
    • Serviços para alunos
    • Comunidade FGV
  • Para candidatos
  • Para empresas
    • Soluções para empresas
    • Clube de parceiros FGV
  • Alumni
  • Contato
Blog Impacto - FGV EAESP Pesquisa
  • Adm. de empresas
  • Adm. pública
  • Notícias
  • Colunas
    • Blog Impacto
    • Blog Gestão e Negócios
  • Vídeos
  • Podcast
Nenhum resultado
Ver todos os recultados
Blog Impacto - FGV EAESP Pesquisa
Home Blog Gestão e Negócios

Uma Boa Ideia Só É Boa Dependendo De Quem Diz?

10 de setembro de 2025
Uma Boa Ideia Só É Boa Dependendo De Quem Diz?

Fernando Barrichelo, Aluno do Doutorado Profissional em Administração da FGV EAESP. Consultor da ReasonHub Consulting e autor dos livros Estratégias de Decisão e Reasoning Skills

O gerente abriu sua caixa de e-mails e encontrou uma mensagem inesperada. Um funcionário de nível médio, discreto e pouco participativo, havia enviado uma proposta de melhoria. O conteúdo surpreendia: era inovador, fazia sentido estratégico, estava bem estruturado e redigido com clareza, concisão e até certa elegância. Boa demais para ser ignorada — e boa demais para ser dele. O gerente franziu a testa. Conhecia aquele funcionário, não por juízo de valor, mas por convivência. Nunca o vira expressar esse tipo de pensamento. E, ainda mais, nunca o vira escrever daquela forma. Havia uma dissonância.

Conteúdorelacionado

Fechando a trilogia: um outro jeito de dizer se as máquinas pensam ou não

Ativismo de marcas funciona? O que define a autoridade moral das empresas ao defender causas sociais

O Erro Invisível nas Fusões e Aquisições: Quando o Diagnóstico Falha

A primeira suspeita era clássica: teria ouvido essa ideia e se apropriado? Mas, logo surgiu uma dúvida mais contemporânea — e inquietante: teria sido o ChatGPT?

A questão deixava de ser apenas sobre a qualidade da proposta. Tornava-se um dilema ético e filosófico: o que fazer diante de uma boa ideia que, ao que tudo indica, não foi concebida por quem a apresenta? Antes da inteligência artificial, isso já ocorria. Era comum alguém capturar uma sugestão dita num corredor ou reunião e apresentá-la como sua. O desconforto vinha da percepção de injustiça: premiar quem se apropriou, silenciar quem criou. Mas com a IA, o desconforto é mais sutil. Não há vítima visível. A máquina não reivindica autoria, ainda assim, o incômodo persiste porque, no fundo, já não sabemos de onde vêm as ideias – e isso desafia uma crença antiga: a de que só tem valor o que é original e autenticamente humano.

Contudo, esse dilema, na verdade, só amplia uma questão mais antiga: o viés da autoridade. Em quase todo ambiente organizacional, ouvimos mais quem já tem legitimidade. Um médico é mais escutado ao falar de saúde do que um mecânico, assim como o mecânico é mais confiável para diagnosticar um carro. Dentro das empresas, vale o mesmo: profissionais de marketing são mais levados a sério ao falar de marketing do que alguém de RH. E, acima de tudo, predomina a lógica hierárquica – quando a ideia vem de um diretor, parece estratégica; vinda de um estagiário, soa como palpite.

Esse viés não é apenas injusto, ele é disfuncional. Cega os gestores para contribuições valiosas apenas porque vêm de lugares improváveis. É puro preconceito: a suposição de que pessoas só podem contribuir nos domínios que lhes foram formalmente atribuídos. A pergunta, então, persiste: uma ideia é boa ou má dependendo de quem a diz?

Com a chegada da IA, essa pergunta ganha novas camadas. Se a ideia é boa, mas foi gerada com apoio da inteligência artificial, ela deve ser descartada? Por quê? Por não vir de um humano? Por não ter sido concebida “sozinho”? Antes, o estagiário fora de sua área de atuação ainda era, às vezes, ouvido. Mas agora, se a proposta veio do ChatGPT – mesmo que com clareza, lógica e consistência – vamos ignorá-la? Fingir que não lemos? Isso corrói a confiança, esvazia a motivação e desestimula a criatividade. E reforça uma cultura onde ideias só são valorizadas se tiverem pedigree.

Nesse novo cenário, o papel do gestor precisa mudar. Já não se trata de vigiar autoria ou garantir pureza criativa. Trata-se de reconhecer boas sementes – venham de onde vierem – e criar condições para que floresçam. Isso inclui aceitar que usar IA com discernimento é, sim, uma habilidade. Fazer boas perguntas, interpretar respostas, adaptar ideias ao contexto – tudo isso exige inteligência. O colaborador que usa o ChatGPT e entrega algo útil e provocador não está trapaceando. Está apenas atuando com as ferramentas do seu tempo.

O que importa agora não é apenas ter ideias – é avançar com elas. Mesmo com apoio da IA, quem propõe algo relevante pode ser um ótimo iniciador – e isso tem valor. A pergunta não é “foi ele quem pensou?”, mas “ele consegue desenvolver isso?”. Se sim, temos um talento em formação. Se não, ainda assim há uma faísca – e faíscas, bem aproveitadas, acendem projetos.

No fim das contas, o dilema da autoria não é sobre tecnologia, é sobre maturidade. A inteligência artificial apenas evidencia o quanto ainda estamos presos a velhos critérios de reconhecimento. Precisamos de um novo pacto. Um pacto que valorize menos quem teve a ideia primeiro, e mais quem consegue transformá-la em algo concreto, útil e compartilhado.

O futuro do trabalho não será dos originais. Será dos integradores. E talvez a nova inteligência, no fundo, seja justamente essa: saber reconhecer quando a ideia é boa,independentemente de onde veio.

Texto originalmente publicado no blog Gestão e Negócios do Estadão, uma parceria entre a FGV EAESP e o Estadão, reproduzido na íntegra com autorização.

Os artigos publicados na coluna Blog Gestão e Negócios refletem exclusivamente a opinião de seus autores, não representando, necessariamente, a visão da Fundação Getulio Vargas ou do jornal Estadão

CompartilharTweetarCompartilharEnviar

Conteúdo relacionado

Fechando a trilogia: um outro jeito de dizer se as máquinas pensam ou não
Blog Impacto

Fechando a trilogia: um outro jeito de dizer se as máquinas pensam ou não

27 de fevereiro de 2026
Marcas e ONGs em ações sociais praticando ativismo de marcas e debate sobre credibilidade empresarial
Administração de empresas

Ativismo de marcas funciona? O que define a autoridade moral das empresas ao defender causas sociais

26 de fevereiro de 2026
O Erro Invisível nas Fusões e Aquisições: Quando o Diagnóstico Falha
Blog Gestão e Negócios

O Erro Invisível nas Fusões e Aquisições: Quando o Diagnóstico Falha

25 de fevereiro de 2026

Conteúdo recente

Fechando a trilogia: um outro jeito de dizer se as máquinas pensam ou não

Fechando a trilogia: um outro jeito de dizer se as máquinas pensam ou não

27 de fevereiro de 2026
Marcas e ONGs em ações sociais praticando ativismo de marcas e debate sobre credibilidade empresarial

Ativismo de marcas funciona? O que define a autoridade moral das empresas ao defender causas sociais

26 de fevereiro de 2026
O Erro Invisível nas Fusões e Aquisições: Quando o Diagnóstico Falha

O Erro Invisível nas Fusões e Aquisições: Quando o Diagnóstico Falha

25 de fevereiro de 2026

Mais lidos

moça na frente de uma estante com livros

Pesquisa mostra como o ensino em gestão se torna mais relevante quando é político e contextualizado

27 de janeiro de 2026
Pessoa em situação pública demonstrando constrangimento após comportamento inadequado de alguém do mesmo grupo e tomando uma atitude sobre isso

Por que nos sentimos constrangidos pelo erro de um estranho e tentamos consertar a situação

2 de fevereiro de 2026
Ilustração mostrando diferentes prazos de contratos usados para proteção financeira de empresas de variações de preços.

Hora de amadurecer: como empresas decidem o tempo ideal de proteção financeira

19 de janeiro de 2026
pesquisa sobre os riscos da inteligência artificial generativa

O lado sombrio da Inteligência Artificial Generativa para aprendizagem

30 de dezembro de 2025
A força das instituições de um país reduz o apoio do governo aos bancos.

Como o apoio do governo aos bancos muda conforme a força das instituições de cada país

24 de dezembro de 2025
A Influência dos Stakeholders na Administração Pública

A Influência dos Stakeholders na Administração Pública

1 de novembro de 2024

Tags

administração pública bem estar consumo coronavírus corrupção covid-19 desenvolvimento sustentável diversidade educação empreendedorismo empresas ESG Estratégia FGV EAESP finanças gestão gestão de saúde gestão pública gênero inovação Inteligência Artificial liderança marketing mudanças climáticas mulheres Notícias internas ODS 3 ODS3 ODS 8 ODS 9 ODS 10 ODS 12 ODS 16 organizações pandemia política pública políticas públicas saúde saúde de qualidade saúde pública supply chain SUS sustentabilidade trabalho transparência
#podcast Impacto: A relação entre autonomia e desempenho de Defensorias Públicas na América Latina

Podcast Impacto

29 Episode
Subscribe
  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

#PodcastImpacto – Urbanismo feminista: o caso de Barcelona

16 de setembro de 2025
  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

#PodcastImpacto: Agentes prisionais e emoções no trabalho

18 de agosto de 2025
  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

#PodcastImpacto: Eficiência e acesso em saúde: o que podemos aprender com sistemas universais em países em desenvolvimento?

11 de julho de 2025
  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

#PodcastImpacto: Como a gestão municipal pode reduzir desigualdades educacionais?

12 de junho de 2025
  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

#PodcastImpacto – Feminist Foreign Policy: liderança feminina e cultura política internacional

10 de abril de 2025
Disseminação do conhecimento
Catálogo dos Centros de Estudos

As manifestações expressas por integrantes dos quadros da Fundação Getulio Vargas, nas quais constem a sua identificação como tais, em artigos e entrevistas publicados nos meios de comunicação em geral, representam exclusivamente as opiniões dos seus autores e não, necessariamente, a posição institucional da FGV. Portaria FGV Nº19

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

Nenhum resultado
Ver todos os recultados
  • Adm. de empresas
  • Adm. pública
  • Notícias
  • Colunas
    • Blog Impacto
    • Blog Gestão e Negócios
  • Vídeos
  • Podcast

-
00:00
00:00

Queue

Update Required Flash plugin
-
00:00
00:00