A relação entre política climática e mercado financeiro está cada vez mais evidente. À medida que governos sinalizam compromissos ambientais em fóruns internacionais, investidores reagem, ajustando expectativas e estratégias. Nesse cenário, as Conferências das Partes da ONU, conhecidas como COPs, ganharam protagonismo não apenas no debate climático, mas também nas decisões de alocação de capital. O estudo apresentado neste texto analisa justamente o efeito COP nos investimentos ESG (ambiental, social e de governança), mostrando, portanto, como esses eventos globais influenciam o desempenho e o risco de fundos sustentáveis negociados no mercado.
A pesquisa foi conduzida por Thiago Dalmédico Gil e Wesley Mendes-Da-Silva, da FGV EAESP, e publicada na revista Economics Letters. Os autores analisaram 70 ETFs ESG entre 2016 e 2024, comparando o comportamento desses fundos antes e depois das COPs. ETFs são fundos de investimento negociados em bolsa, semelhantes a ações, que reúnem diversos ativos em um único produto, facilitando o acesso dos investidores a temas específicos, como energia limpa ou baixo carbono. Os pesquisadores observaram indicadores como retorno, volume de negociação, volatilidade e o grau de movimento conjunto com o mercado em geral.
O efeito COP nos investimentos ESG
Os resultados mostram que o impacto das COPs não é uniforme ao longo do tempo. Entre 2016 e 2020, período de consolidação do Acordo de Paris, os efeitos foram mais difusos. Já entre 2021 e 2024, fase marcada por maior ambição climática, os sinais se tornaram mais claros. Embora fundos ligados à energia solar passaram a apresentar desempenho inferior após as COPs, temas como infraestrutura sustentável e baixo carbono ganharam força.
Além disso, vários investimentos ESG passaram a oscilar mais próximos do mercado como um todo depois das conferências. Em outras palavras, eles perderam parte do seu papel de diversificação no curto prazo. Embora essa mudança pareça pequena, ela é relevante para investidores que usam esses fundos como proteção ou equilíbrio de risco.
Tomados em conjunto, os resultados indicam que as COPs funcionam como momentos de forte atenção e informação para os mercados. Dessa forma, elas ajudam a redefinir expectativas sobre quais setores devem se beneficiar da transição climática e quais podem enfrentar mais desafios. Para investidores, isso significa que o calendário das COPs pode ser um fator estratégico na gestão de investimentos ESG.
Por fim, o efeito COP nos investimentos ESG mostra que sustentabilidade e mercado financeiro estão profundamente conectados. Entender essa dinâmica, portanto, permite decisões mais conscientes, alinhando impacto ambiental e estratégia financeira em um cenário de transição cada vez mais acelerado.
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