Emergências exigem respostas rápidas e bem coordenadas, especialmente no setor público, onde a linha de frente atua diretamente com cidadãos em situações de alta pressão. Por isso, entender o que influencia a preparação desses profissionais é essencial. Nesse contexto, a pesquisa analisada mostra que a confiança — tanto na organização quanto entre colegas — pode ser um fator decisivo para que policiais se sintam prontos para agir em situações de emergência. Assim, o estudo ajuda a compreender como relações de confiança entre profissionais moldam o desempenho de quem trabalha diariamente em cenários de risco.
O estudo foi conduzido pelos pesquisadores Nissim Cohen (Universidade de Haifa), Maayan Davidovitz (Universidade de Tel Aviv), Gabriela Lotta (FGV EAESP) e Teddy Lazebnik (Universidade Ariel), e publicado na International Public Management Journal. Para isso, eles realizaram uma pesquisa com 2.733 policiais militares e civis brasileiros, que responderam a um questionário sobre confiança em seus pares, nos comandantes e na instituição, além de suas percepções sobre o preparo da organização para emergências.
Como a confiança entre policiais influencia a prontidão para emergências
Os dados mostram que, embora os níveis gerais de confiança na instituição policial e nos comandantes sejam baixos, muitos policiais confiam bastante em seus colegas diretos. Isso é importante, pois a análise indica que essa confiança tem relação direta com a sensação de prontidão da organização. Em outras palavras, quanto mais o policial confia nos seus pares e na instituição, mais ele acredita que sua corporação está preparada para agir em situações de crises.
Além disso, a pesquisa revela que a confiança não funciona de forma simples. Há relações lineares e não lineares entre confiança e prontidão, mostrando que os vínculos sociais dentro das equipes são mais complexos do que parecem. Outro ponto relevante é que idade e renda não influenciam a percepção de prontidão.
O estudo conclui que a confiança é essencial para melhorar o desempenho em emergências. Assim, gestores públicos devem investir em estratégias que reforcem vínculos dentro das equipes, como treinamentos conjuntos, simulações realistas e atividades de fortalecimento de relacionamento entre profissionais. Esses esforços podem criar ambientes mais seguros, cooperativos e eficazes, especialmente em contextos de risco constante como o trabalho policial no Brasil.
Ao final, a pesquisa reforça que fortalecer a confiança não é apenas uma questão de clima organizacional, mas um passo fundamental para garantir respostas rápidas, humanas e eficientes em situações de emergência.
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