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Blog Impacto - FGV EAESP Pesquisa
Home Administração pública

Cozinhas solidárias ajudam a combater a fome e promovem inclusão nas periferias urbanas

11 de agosto de 2025
Cozinhas solidárias ajudam a combater a fome e promovem inclusão nas periferias urbanas

Resumo da pesquisa

  1. Cozinhas solidárias são uma tecnologia social eficaz no combate à fome em áreas urbanas vulneráveis;
  2. Essas iniciativas vão além da distribuição de alimentos, promovendo inclusão, capacitação e sustentabilidade;
  3. A pesquisa recomenda a expansão do Programa Nacional Cozinha Solidária, com articulação entre governos, produtores locais e a sociedade civil.

Pesquisador(es):

Fabiano Jorge Soares

Wagner Cerqueira Nunes

Nicole Martins Bezerra

Carolyne Mendes Espirito Santo

Luciana Marques Vieira

A fome nas cidades brasileiras não é causada pela falta de alimentos, mas sim pela má distribuição e pelo difícil acesso da população de baixa renda. A insegurança alimentar afeta mais de 80 milhões de pessoas no Brasil, segundo dados do IBGE (2020). Nesse contexto, surgem as cozinhas solidárias, uma resposta direta e coletiva para garantir refeições dignas a quem mais precisa. Ou seja, mulheres chefes de família, crianças e moradores das periferias.

Um estudo foi realizado por Luciana Marques Vieira, pesquisadora e professora da FGV EAESP e Fabiano Jorge Soares, doutorando e pesquisador do FGV Analytics e FGV CEAPG, em coautoria com Wagner Cerqueira Nunes, Nicole Martins Bezerra e Carolyne Mendes Espírito Santo, e publicado na revista Cadernos Gestão Pública e Cidadania utilizando análise documental e revisão de literatura. O objetivo foi analisar a relevância das cozinhas solidárias no combate à insegurança alimentar nos centros urbanos brasileiros.

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Sendo assim, os pesquisadores utilizaram dados oficiais do IBGE e da Rede Penssan, além da legislação que institucionalizou o Programa Nacional Cozinha Solidária (PNCS) — Lei nº 14.628/2023 e Decreto nº 11.937/2024. Além disso, a pesquisa estudou experiências práticas de cozinhas implantadas durante a pandemia, com destaque para o trabalho do MTST em várias regiões do país.

Mais do que refeições: inclusão, capacitação e justiça social

As cozinhas solidárias oferecem refeições gratuitas ou a preços simbólicos para famílias em situação de vulnerabilidade. Porém, seu papel vai além disso, funcionando também como centros de formação comunitária, redes de solidariedade e valorização do trabalho local. Elas contam com o apoio de agricultores familiares, doações voluntárias e o esforço diário de cozinheiras e moradores das comunidades.

Desde 2021, essas cozinhas distribuíram mais de 2,3 milhões de refeições no Brasil, mesmo enfrentando desafios como falta de recursos estáveis e descontinuidade de políticas públicas. Em 2024, existiam 48 cozinhas solidárias ativas, com estrutura limitada, mas grande impacto social.

Cozinhas solidárias como política estratégica para o Brasil

A pesquisa mostra que as cozinhas solidárias são tecnologias sociais replicáveis, desenvolvidas com participação da comunidade, que promovem soluções reais para o combate à fome. Além disso, incentivam práticas sustentáveis para a redução do desperdício, como o aproveitamento de alimentos próximos ao vencimento ou fora do padrão estético do comércio.

Portanto, para que esse modelo se torne sustentável em larga escala, o estudo recomenda:

  • Expansão do PNCS com recursos contínuos;
  • Parcerias com pequenos produtores e bancos de alimentos;
  • Infraestrutura adequada nas regiões mais afetadas pela fome (Norte e Nordeste);
  • Integração com programas como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos).

Ao mostrar que é possível garantir alimentação digna com articulação comunitária e apoio governamental, o estudo reforça a importância das cozinhas solidárias como política pública de segurança alimentar e justiça social. Por fim, mais do que uma resposta emergencial, elas representam um modelo de transformação local com impacto nacional. São um passo concreto para um Brasil sem fome.

Leia o artigo na integra.

Crédito fotografia: Roberta Aline/ Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

Nota: alguns artigos podem apresentar restrições de acesso.

Tags: combate à fomecozinhas solidáriasjustiça socialODS 1ODS 12ODS 5políticas públicasredistribuição de alimentossegurança alimentartecnologia social
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