O modelo tradicional de produção e consumo gera desperdício e pressiona os recursos naturais. Por isso, empresas e governos passaram a buscar alternativas mais sustentáveis. A economia circular surge nesse cenário com a proposta de manter materiais em uso por mais tempo por meio de reuso, reciclagem e renovação de produtos. Ainda assim, transformar boas intenções em ação continua sendo um desafio. No Brasil, apenas cerca de 4% dos resíduos são reciclados. Diante desse cenário, empresas começaram a criar programas para engajar consumidores na economia circular, convidando o público a devolver embalagens usadas, reutilizar produtos e participar de iniciativas de reciclagem.
Um estudo conduzido pelas alunas Juliana Boteon e Juliana Barbanti, em parceria com a professora Tânia Veludo-de-Oliveira, da FGV EAESP, investigou como essas iniciativas funcionam na prática. A pesquisa foi publicada na revista GV Executivo. As autoras analisaram documentos e relatórios institucionais de quatro empresas reconhecidas por suas ações de sustentabilidade: Boticário, Natura, Ikea e L’Occitane. Esse tipo de investigação utiliza registros e materiais já existentes para compreender estratégias empresariais e seus resultados. Nos casos analisados, as empresas criaram programas que incentivam os consumidores a devolver embalagens, reutilizar produtos ou participar de processos de reciclagem.
A pesquisa mostra que campanhas sustentáveis funcionam melhor quando levam em conta fatores psicológicos que influenciam o comportamento das pessoas. Em outras palavras, as empresas precisam ir além de programas de coleta ou reciclagem e pensar em como motivar o público.
Como engajar consumidores na economia circular
Um dos fatores envolve a influência social. Muitas pessoas adaptam seus hábitos quando percebem que determinado comportamento é valorizado. Por isso, algumas empresas criam pontos de coleta em lojas ou espaços visíveis. Quando os consumidores devolvem embalagens nesses locais, tornam o ato sustentável público e socialmente reconhecido.
Outro fator importante envolve a formação de hábitos. Incentivos positivos ajudam a criar novas rotinas. Algumas marcas oferecem descontos ou benefícios para quem devolve embalagens usadas. Com o tempo, essa prática passa a fazer parte do comportamento cotidiano do consumidor.
A identidade pessoal também exerce influência. Muitas pessoas querem agir de forma coerente com seus valores. Quando percebem que pequenas atitudes geram impacto real, sentem maior motivação para continuar participando.
A forma de comunicar as iniciativas também faz diferença. Mensagens equilibradas, que combinam emoção e orientação prática, ajudam o público a entender como agir. Informações claras sobre onde devolver embalagens ou como reciclar produtos aumentam a participação.
Por fim, tornar os benefícios visíveis fortalece o engajamento. Quando as empresas mostram resultados concretos, como redução de resíduos ou benefícios para a comunidade, o consumidor percebe o valor da própria ação.
Os casos analisados indicam que iniciativas bem planejadas podem gerar ganhos ambientais e estratégicos. Ao reaproveitar materiais, as empresas reduzem custos e diminuem a dependência de novos recursos. Ao mesmo tempo, fortalecem a reputação da marca e aumentam a lealdade dos consumidores. Nesse sentido, envolver o público deixa de ser apenas uma estratégia de comunicação e passa a se tornar um elemento central da economia circular.
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