Com o avanço da tecnologia, os aplicativos financeiros tornaram-se uma ferramenta essencial para milhões de brasileiros. A praticidade de acessar sua conta diretamente pelo celular trouxe inúmeros benefícios, mas também aumentou as preocupações com a segurança e a privacidade dos dados. Um novo estudo mostra que nossas emoções, especialmente o medo, desempenham um papel importante na forma como confiamos (ou não) no mobile banking.
Os pesquisadores Marco Alexandre Terlizzi e Otávio Próspero Sanchez, da FGV EAESP, em parceria com Laura Brandimarte e Susan Brown conduziram o estudo e o publicaram na revista científica Information Technology & People. Eles realizaram dois experimentos: um em laboratório com reconhecimento facial para medir o medo em tempo real, e outro online, com usuários de mobile banking. Ambos simularam um ataque onde dados financeiros poderiam ser roubados.
Os resultados mostram que o medo muda completamente a forma como as pessoas reagem à privacidade digital usando aplicativos financeiros.
Quando o usuário não está com medo, ele tende a confiar mais nos aplicativos bancários e se preocupar menos com a segurança dos seus dados. Mas quando o medo é ativado — por exemplo, após uma mensagem que alerta sobre roubo de dados — essa confiança diminui, e as preocupações com a privacidade aumentam.
Curiosamente, o medo não faz a pessoa parar de usar o aplicativo, mas pode deixá-la mais cautelosa. Isso sugere que, se usado de forma equilibrada, o medo pode ajudar a promover o uso consciente e seguro do mobile banking, sem assustar o usuário a ponto de abandoná-lo.
Por que isso é importante para você
Muitos bancos utilizam campanhas para alertar os clientes sobre fraudes, e essa prática pode ser eficaz — desde que não gere pânico. O estudo sugere que uma “pequena dose de medo” pode incentivar hábitos mais seguros, como ativar a autenticação de dois fatores ou evitar redes Wi-Fi públicas para acessar a conta.
Além disso, os pesquisadores mostram que apenas confiar no banco não é suficiente se o usuário estiver com medo. Isso exige que instituições financeiras se comuniquem de forma mais estratégica com seus clientes — equilibrando confiança com educação sobre riscos reais.
Por fim, este estudo reforça a importância de considerar o lado emocional do usuário quando se fala em segurança digital. O medo pode ser uma ferramenta poderosa para educar sem afastar. Para quem usa mobile banking, a dica é: fique atento, mas não deixe o medo te paralisar — use a tecnologia a seu favor, com consciência e cuidado.
Leia o artigo na integra.
Nota: alguns artigos podem apresentar restrições de acesso.