As reservas de caixa são um dos temas mais importantes na gestão financeira, pois influenciam diretamente a segurança, o crescimento e o valor de mercado das empresas. No entanto, ainda existe muita dúvida sobre como os investidores avaliam o caixa e equivalentes de caixa, especialmente quando se trata de empresas multinacionais. Por isso, este estudo investigou se o valor das reservas de caixa das multinacionais latino-americanas — as chamadas Multilatinas — é diferente do valor atribuído ao caixa das empresas que atuam apenas em seus países de origem.
Aviner Silva Manoel, Marcelo da Costa Moraes, Jorge Carneiro (FGV EAESP) e Eloisa Perez-de Toledo realizaram e publicaram o estudo no Journal of International Management. Para responder à pergunta central, os autores analisaram dados de 491 empresas de capital aberto das seis maiores economias da região entre 2000 e 2018. Sendo assim, os pesquisadores compararam Multilatinas e empresas domésticas, excluindo setores regulados e subsidiárias estrangeiras para evitar distorções, utilizando modelos de regressão.
O valor das reservas de caixa nas Multilatinas: o que realmente importa para os investidores
Os resultados mostram que os investidores não atribuem um prêmio ao caixa mantido pelas Multilatinas. Em outras palavras, mesmo que essas empresas tenham mais oportunidades de crescimento e maior acesso a financiamento externo, o mercado não considera seu caixa mais valioso do que o das empresas domésticas.
Isso ocorre porque, ao mesmo tempo em que a internacionalização amplia as oportunidades, ela também aumenta riscos. Entre eles estão mais conflitos entre gestores e acionistas, maior dificuldade de monitorar subsidiárias e níveis mais altos de assimetria de informação. Além disso, muitas Multilatinas atuam em países próximos, com estruturas institucionais semelhantes e, frequentemente, com proteção fraca ao investidor. Esses fatores reduzem a confiança dos acionistas na boa utilização das reservas de caixa.
Embora as Multilatinas tenham, em média, maiores oportunidades de investimento, os investidores temem que parte do caixa possa ser utilizada em projetos pouco eficientes ou em despesas que beneficiem mais os gestores do que a empresa. Sem informações claras sobre onde o caixa está alocado — se no país de origem ou no exterior — os investidores avaliam esse recurso de forma mais conservadora.
A pesquisa conclui que os efeitos positivos da internacionalização são neutralizados por riscos de governança e falta de transparência. Isso impede que o valor de mercado do caixa das Multilatinas se destaque. Assim, mesmo com operações internacionais, elas não recebem um reconhecimento maior do mercado.
Para gestores, isso significa que melhorar a transparência e fortalecer a governança — especialmente em subsidiárias estrangeiras — pode aumentar a confiança dos investidores. Já para formuladores de políticas públicas, o estudo sugere exigir a divulgação separada das reservas de caixa domésticas e estrangeiras. Por fim, estes cuidados facilitariam decisões mais eficientes por parte de acionistas, analistas e órgãos reguladores.
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