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Blog Impacto - FGV EAESP Pesquisa
Home Administração de empresas

Hora de amadurecer: como empresas decidem o tempo ideal de proteção financeira

19 de janeiro de 2026
Ilustração mostrando diferentes prazos de contratos usados para proteção financeira de empresas de variações de preços.

Resumo da pesquisa

  1. A proteção financeira de longo prazo depende da quantidade de garantias que a empresa possui e do prazo de suas dívidas e investimentos.
  2. Durante crises, como a queda do preço do petróleo em 2014, ter colateral adicional se torna essencial para manter contratos de proteção mais extensos.
  3. Empresas com operações mais flexíveis tendem a optar por contratos de proteção mais curtos.

 


Pesquisador(es):

Håkan Jankensgård

Nicoletta Marinelli

Rafael Schiozer

Quando o preço de um produto essencial oscila bastante, empresas correm o risco de sofrer perdas bruscas que podem comprometer empregos, investimentos e até o abastecimento de setores inteiros. Para evitar isso, elas usam contratos que funcionam como uma forma de proteção financeira. Porém, além de decidir quanto proteger, também precisam escolher por quanto tempo essa proteção deve durar. Essa escolha, chamada maturidade do hedge, afeta diretamente a estabilidade da empresa e sua capacidade de enfrentar crises. Por isso, entender os fatores que influenciam esse prazo ajuda a compreender como empresas mantêm segurança em mercados voláteis.

A pesquisa, conduzida por Håkan Jankensgård, Nicoletta Marinelli e Rafael Schiozer (FGV EAESP), foi publicada na Journal of Commodity Markets. O estudo analisou dados coletados manualmente de 124 empresas de petróleo e gás nos Estados Unidos entre 2013 e 2016, reunindo mais de mil observações sobre contratos de proteção, dívidas, investimentos e características operacionais.

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O estudo mostra que a proteção financeira de longo prazo só é possível quando a empresa tem garantias suficientes, como caixa ou ativos físicos. Portanto, quanto maior o prazo, maior o risco para quem oferta o contrato, e maior a exigência de colateral. Na prática, isso significa que empresas com mais reservas, caixa e ativos concretos conseguem se proteger por mais tempo.

Por exemplo, em 2014, o preço do petróleo despencou pela metade em poucas semanas. As reservas usadas como garantia perderam valor rapidamente e empresas com menos caixa ficaram limitadas a contratos curtos. Já aquelas com mais colateral alternativo conseguiram manter proteções de longo prazo mesmo durante o choque.

Além disso, a pesquisa revela que empresas tendem a ajustar o tempo da proteção financeira ao prazo de suas dívidas e planos de investimento. Quando o compromisso financeiro é longo, faz sentido que o período de proteção acompanhe esse ritmo. Assim, a empresa reduz incertezas e mantém espaço para investir mesmo em momentos de oscilação.

Empresas com operações mais flexíveis, como as que trabalham com xisto, conseguem ajustar a produção rapidamente. Por isso, dependem menos de proteções longas. Essa flexibilidade atua como uma defesa natural, reduzindo a necessidade de contratos longos e permitindo respostas mais rápidas às mudanças do mercado.

A maturidade do hedge pode parecer um detalhe técnico, mas tem impacto direto na segurança financeira das empresas e, por consequência, no dia a dia do público. Por fim, a pesquisa mostra que a proteção financeira de longo prazo depende da combinação entre colateral disponível, estrutura de dívidas, planos de investimento e flexibilidade operacional. Assim, em períodos de crise, esses fatores ajudam empresas a preservar empregos, estabilizar preços e manter investimentos essenciais.

Leia o artigo na íntegra.  

Nota: alguns artigos podem apresentar restrições de acesso.

Tags: colateralestratégia financeiraflexibilidadegestão de riscosmaturidadematuridade do hedgeODS 8proteção corporativavolatilidade do petróleo
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