A indústria de laticínios é estratégica para o desenvolvimento regional, especialmente no Nordeste, onde a bovinocultura de leite tem forte presença econômica e social. No entanto, identificar onde estão as melhores condições para o crescimento do setor ainda é um desafio. Fatores como infraestrutura, acesso a mercados, disponibilidade de matéria-prima e apoio institucional nem sempre são analisados de forma integrada. Por isso, estudos que ajudam a enxergar esse cenário de maneira mais clara são fundamentais para orientar decisões públicas e privadas.
O artigo “Aplicação do Fuzzy-AHP no mapeamento de redes organizacionais: um estudo em laticínios da Região Nordeste do Brasil” foi publicado na revista GEOgraphia, da Universidade Federal Fluminense. Os autores são Juciê de Souza Almeida, Marco Antonio Pinheiro da Silveira, Eduardo de Rezende Francisco, da FGV EAESP, e Ricardo Limongi.
A pesquisa utilizou dados públicos do IBGE, extraídos da base RAIS de 2019, abrangendo mais de 1.700 municípios do Nordeste. Sendo assim, foram analisadas mais de 800 indústrias de laticínios, com apoio de ferramentas de análise espacial e sistemas de informação geográfica.
Potencial dos laticínios no Nordeste
O objetivo central do estudo, portanto, foi identificar quais regiões têm maior capacidade de formar arranjos produtivos locais, conhecidos como APLs, no setor de laticínios. Em termos simples, APLs são concentrações de empresas que, juntas, fortalecem a economia local, geram empregos e estimulam a inovação.
Para isso, os pesquisadores cruzaram informações econômicas, geográficas, sociais, institucionais e ambientais. Portanto, entraram na análise dados como produção de leite, número de vacas ordenhadas, presença de comércio atacadista e varejista, qualidade da infraestrutura de transporte, acesso à energia, existência de entidades de apoio e condições básicas de saneamento. A inovação incorporada envolveu a integração de técnicas de GeoAnalytics com os modelos Fuzzy-AHP, tradicionalmente utilizados na identificação territorial de áreas de potencial para arranjos produtivos locais.
Os resultados mostram que o potencial de crescimento dos laticínios não depende apenas da produção de leite. Pelo contrário, municípios com boa infraestrutura, presença de empresas relacionadas, acesso a crédito e apoio institucional se destacam. Estados como Bahia e Ceará concentram arranjos já existentes, porém o estudo revela áreas fora desses polos tradicionais que também apresentam forte potencial de desenvolvimento.
Outro ponto relevante é que a metodologia aplicada conseguiu reduzir a subjetividade na escolha das áreas prioritárias, ou seja, decisões mais baseadas em dados e menos em percepções isoladas, o que é essencial para políticas públicas mais eficientes.
Por fim, a pesquisa oferece um mapa claro para gestores públicos, empresas e instituições de apoio. Ao indicar onde estão as melhores condições para o surgimento ou expansão de APLs de laticínios, o estudo contribui para estratégias de desenvolvimento regional mais eficazes. Além disso, reforça a importância da integração entre empresas, universidades, governos e entidades como Sebrae e Senai. Assim, o setor de laticínios pode se tornar ainda mais competitivo, sustentável e gerador de renda no Nordeste brasileiro.
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