Por que uma mesma política monetária gera resultados diferentes em países distintos? Segundo uma pesquisa recente publicada na Journal of Economic Behavior & Organization, a resposta pode estar na atenção dos agentes econômicos — ou seja, no quanto famílias e empresas realmente acompanham as informações sobre inflação, juros e crescimento.
O estudo, conduzido por Jonathan Benchimol (Banco de Israel), Lahcen Bounader (Banco Mundial) e Mario Dotta (FGV EAESP), oferece a primeira estimativa internacional sobre esse fenômeno, analisando 22 países da OCDE entre 1996 e 2019.
Usando um modelo comportamental e técnicas estatísticas, os pesquisadores mensuraram o grau de “atenção econômica” de cada país. Em termos simples, o estudo avaliou quanto os agentes estão atentos às variáveis que afetam diretamente suas decisões — como inflação e taxa de juros — e como essa atenção varia de acordo com o contexto econômico.
Como a atenção dos agentes econômicos muda o impacto e eficácia da política monetária
Os resultados mostram grande heterogeneidade entre países. Na Turquia, México e Colômbia, onde a economia é mais volátil, os agentes prestam mais atenção às mudanças econômicas. Por outro lado, em economias estáveis, como Reino Unido e Chile, a atenção tende a ser menor.
Portanto, três achados principais se destacam:
- Volatilidade e atenção caminham juntas: países com maior instabilidade econômica demonstram níveis mais altos de atenção.
- Busca por informação importa: a frequência de pesquisas no Google sobre inflação e preços está diretamente ligada à atenção dos agentes.
- Instituições fortes favorecem atenção, ou seja, a eficácia do governo influencia a clareza das informações e o foco da sociedade nos indicadores econômicos.
A pesquisa revela que a atenção é tanto um fenômeno comportamental quanto estrutural, respondendo a fatores institucionais e a condições econômicas. Quando a economia está estável, as pessoas tendem a relaxar e prestar menos atenção. Porém, isso pode reduzir o efeito de políticas monetárias, como ajustes na taxa de juros.
Por outro lado, em períodos de incerteza, a atenção aumenta e as respostas econômicas se tornam mais intensas. Ou seja, a eficácia da política monetária depende do contexto cognitivo e institucional de cada país.
Como a atenção molda a economia
Por fim, os autores sugerem que bancos centrais considerem essa variação na hora de definir políticas. Em ambientes de baixa atenção, talvez seja necessário comunicar mais claramente ou agir com mais intensidade para atingir os mesmos resultados. Além disso, governos eficazes e uma boa comunicação econômica ajudam a manter a sociedade engajada — o que torna as políticas públicas mais eficientes.
Em suma, entender como a atenção humana influencia decisões econômicas é um passo essencial para criar políticas mais realistas e eficazes — lembrando que, no fim, a economia é feita por pessoas, e pessoas só reagem ao que realmente percebem.
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