• Sobre o Blog Impacto
  • FGV EAESP
  • FGV EAESP Pesquisa
  • Acontece
    • Notícias
    • Eventos
  • Para alunos
    • Serviços para alunos
    • Comunidade FGV
  • Para candidatos
  • Para empresas
    • Soluções para empresas
    • Clube de parceiros FGV
  • Alumni
  • Contato
Blog Impacto - FGV EAESP Pesquisa
  • Adm. de empresas
  • Adm. pública
  • Notícias
  • Colunas
    • Blog Impacto
    • Blog Gestão e Negócios
  • Vídeos
  • Podcast
Nenhum resultado
Ver todos os recultados
Blog Impacto - FGV EAESP Pesquisa
Home Blog Gestão e Negócios

Inovação à Brasileira: Planilha, Poesia e Disrupção

11 de março de 2026
Inovação à Brasileira: Planilha, Poesia e Disrupção

Charles Schramm, aluno do Doutorado Profissional em Administração da FGV.

O mercado brasileiro vive sob contraste permanente: de um lado, o potencial quase ilimitado de empresas que querem crescer, de outro, o cotidiano impiedoso do curto prazo financeiro e da pressão por resultados. Fala-se muito em inovação, mas, diante de conselhos e investidores, são os relatórios trimestrais, com suas planilhas extensas, que acabam pesando mais que qualquer discurso sobre futuro. E aqui está a provocação: será que estamos realmente inovando, ou só disfarçando a estagnação com dashboards e números que contam uma história incompleta?

Conteúdorelacionado

Como as regras de transferência de recursos influenciam a criação de municípios no Brasil

Fintechs socioambientais: como a tecnologia pode ampliar a inclusão financeira e gerar impacto sustentável

O Clima Mudou: Sua Estratégia de Negócios Também?

A teoria da inovação disruptiva de Clayton Christensen, ainda pouco assimilada no dia a dia corporativo local, demonstra que transformações realmente profundas não acontecem “da noite para o dia”, e quase nunca nascem no centro do mercado. A empresa disruptiva começa pequena, em nichos ignorados pelos líderes estabelecidos, entregando soluções “boas o suficiente”, acessíveis, e escala porque enxerga valor onde os outros veem risco. No Brasil, exemplos como Nubank, atualmente avaliado em mais de 50 bilhões de dólares e com mais de 100 milhões de clientes, mostram que o modelo pode parecer comercialmente ilógico nos primeiros anos: a fintech acumulou prejuízos enquanto ganhava tração, apostando no digital e em uma experiência radicalmente diferente. O sucesso, porém, chegou e alterou todo o setor bancário tradicional — algo que dificilmente teria sobrevivido se estivesse sujeito exclusivamente ao escrutínio das métricas trimestrais de rentabilidade.

Grande parte das corporações nacionais, contudo, não consegue defender seus investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) quando o retorno demora. A Natura, por exemplo, investiu 292 milhões de reais em P&D no último ciclo, com destaque para um centro integrado com a Avon, o maior do tipo na América do Sul e 260 pesquisadores dedicados a criar produtos. O resultado imediato disso nos relatórios financeiros é um aumento de custo, não de lucro. A Embraer é outro caso emblemático: durante anos, destinou 5% de sua receita líquida à inovação (percentual alto para o setor) até consolidar, décadas depois, uma estrutura de exportação tecnológica e gerar margens EBIT acima de 11%. Nenhuma dessas trajetórias teria resistido se, no curto prazo, o único critério fosse eficiência operacional em indicadores de rentabilidade nos demonstrativos trimestrais.

Esse é o coração do dilema da ambidestria organizacional, definida como a capacidade de uma empresa de equilibrar, por um lado, a eficiência operacional nos negócios atuais, com a exploração de novas oportunidades de inovação para o futuro, pelo outro. O desafio aqui é: como equilibrar a maximização dos indicadores do presente (faturamento, margem, produtividade) com o desenvolvimento de novas capacidades e produtos que só darão frutos no futuro? Finanças não é inimiga da inovação, pelo contrário: estruturar o reporte correto é proteger o valor do investimento mais arriscado, dando transparência para o conselho, ao mesmo tempo, em que se evita sufocar o ciclo exploratório que poderá definir a liderança do setor nos próximos anos.

Muitas empresas começam a migrar para um modelo de reporte ambidestro, estabelecendo dois painéis complementares e igualmente importantes: um para métricas tradicionais de eficiência (ROI, EBITDA, produtividade) e outro para os indicadores de aprendizagem e descoberta (número de hipóteses testadas, novos mercados e segmentos atendidos, patentes depositadas, parcerias estratégicas). A experiência dos líderes nacionais mostra que é fundamental deixar explícito nos fóruns de decisão que a exploração do novo implica ciclos longos e um grau maior de incerteza. A comunicação com os investidores e o próprio desenho dos sistemas de incentivo precisam reconhecer o tempo entre aposta e retorno, sob pena de matar o futuro da organização antes mesmo que ele amadureça.

O recado final é simples, mas pouco praticado: defender as métricas do presente é garantir sustentabilidade agora; defender as métricas do futuro é garantir relevância e valor daqui a cinco ou dez anos. No Brasil, investimos só 1,2% do PIB em P&D, frente a 5% da Coreia do Sul. Muito dessa diferença está na forma como justificamos, monitoramos e celebramos as apostas de longo prazo. Planilhas são essenciais para mensurar, poesia é vital para inspirar, mas é do equilíbrio entre ambas que nasce, de fato, a disrupção.

Se amanhã o conselho exigisse explicações detalhadas para seguir apostando em projetos inovadores cujo retorno só virá em 2029, como seria o seu reporte? Saber narrar bem a história dos investimentos é tão estratégico quanto escolher onde investir. No fim das contas, o lucro de hoje nasceu da ousadia de ontem. E o lucro de amanhã depende de conseguir, hoje, proteger e explicar o valor de “dar tempo ao tempo” para a exploração e a disrupção.

Texto originalmente publicado no blog Gestão e Negócios do Estadão, uma parceria entre a FGV EAESP e o Estadão, reproduzido na íntegra com autorização.

Os artigos publicados na coluna Blog Gestão e Negócios refletem exclusivamente a opinião de seus autores, não representando, necessariamente, a visão da Fundação Getulio Vargas ou do jornal Estadão

CompartilharTweetarCompartilharEnviar

Conteúdo relacionado

transferência de recursos aos municípios e gestão pública no Brasil
Administração pública

Como as regras de transferência de recursos influenciam a criação de municípios no Brasil

24 de julho de 2026
Fintechs socioambientais usam tecnologia digital para promover inclusão financeira e impacto sustentável em comunidades
Administração de empresas

Fintechs socioambientais: como a tecnologia pode ampliar a inclusão financeira e gerar impacto sustentável

22 de julho de 2026
O Clima Mudou: Sua Estratégia de Negócios Também?
Blog Gestão e Negócios

O Clima Mudou: Sua Estratégia de Negócios Também?

20 de julho de 2026

Conteúdo recente

transferência de recursos aos municípios e gestão pública no Brasil

Como as regras de transferência de recursos influenciam a criação de municípios no Brasil

24 de julho de 2026
Fintechs socioambientais usam tecnologia digital para promover inclusão financeira e impacto sustentável em comunidades

Fintechs socioambientais: como a tecnologia pode ampliar a inclusão financeira e gerar impacto sustentável

22 de julho de 2026
O Clima Mudou: Sua Estratégia de Negócios Também?

O Clima Mudou: Sua Estratégia de Negócios Também?

20 de julho de 2026

Mais lidos

A batalha quixotesca da saúde no Brasil: por que combatemos sintomas e ignoramos as causas da corrupção

A batalha quixotesca da saúde no Brasil: por que combatemos sintomas e ignoramos as causas da corrupção

2 de julho de 2026
FGV EAESP lança Relatório de Impacto 2025/2026

FGV EAESP lança Relatório de Impacto 2025/2026

1 de julho de 2026
Servidores públicos discutindo estratégias de resistência a pressões antidemocráticas em ambiente institucional

Como servidores públicos podem proteger a democracia por dentro das organizações

15 de julho de 2026
Estudo da FGV propõe impostos sobre o tabaco para financiar prevenção ao câncer de pulmão

Consumo e varejo desaceleram no Brasil: projeções da FGV para 2025 e 2026

31 de julho de 2025
Adolescente com expressões tímidas, representando barreiras ao consumo de saúde sexual

O consumo de produtos de saúde sexual: o papel do silêncio como barreira invisível

1 de junho de 2026
Reunião entre representantes de empresas e pequenos fornecedores diversos discutindo inclusão na cadeia de suprimentos.

Diversidade de fornecedores pode transformar cadeias de suprimentos, mas falta compromisso das empresas

1 de julho de 2026

Tags

administração pública bem estar comportamento do consumidor consumo coronavírus corrupção covid-19 desenvolvimento sustentável diversidade educação empreendedorismo empresas ESG Estratégia FGV EAESP finanças gestão gestão de saúde gestão pública gênero inovação Inteligência Artificial liderança marketing mulheres Notícias internas ODS 3 ODS3 ODS 8 ODS 9 ODS 10 ODS 12 ODS 16 organizações pandemia política pública políticas públicas saúde saúde de qualidade saúde pública supply chain SUS sustentabilidade trabalho transparência
#podcast Impacto: A relação entre autonomia e desempenho de Defensorias Públicas na América Latina

Podcast Impacto

30 Episode
Subscribe
  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

Ativismo corporativo: quando o posicionamento das empresas gera apoio e rejeição

6 de abril de 2026
  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

#PodcastImpacto – Urbanismo feminista: o caso de Barcelona

16 de setembro de 2025
  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

#PodcastImpacto: Agentes prisionais e emoções no trabalho

18 de agosto de 2025
  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

#PodcastImpacto: Eficiência e acesso em saúde: o que podemos aprender com sistemas universais em países em desenvolvimento?

11 de julho de 2025
  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

#PodcastImpacto: Como a gestão municipal pode reduzir desigualdades educacionais?

12 de junho de 2025
Disseminação do conhecimento
Catálogo dos Centros de Estudos

As manifestações expressas por integrantes dos quadros da Fundação Getulio Vargas, nas quais constem a sua identificação como tais, em artigos e entrevistas publicados nos meios de comunicação em geral, representam exclusivamente as opiniões dos seus autores e não, necessariamente, a posição institucional da FGV. Portaria FGV Nº19

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

Nenhum resultado
Ver todos os recultados
  • Adm. de empresas
  • Adm. pública
  • Notícias
  • Colunas
    • Blog Impacto
    • Blog Gestão e Negócios
  • Vídeos
  • Podcast

-
00:00
00:00

Queue

Update Required Flash plugin
-
00:00
00:00