• Sobre o Blog Impacto
  • FGV EAESP
  • FGV EAESP Pesquisa
  • Acontece
    • Notícias
    • Eventos
  • Para alunos
    • Serviços para alunos
    • Comunidade FGV
  • Para candidatos
  • Para empresas
    • Soluções para empresas
    • Clube de parceiros FGV
  • Alumni
  • Contato
Blog Impacto - FGV EAESP Pesquisa
  • Adm. de empresas
  • Adm. pública
  • Notícias
  • Colunas
    • Blog Impacto
    • Blog Gestão e Negócios
  • Vídeos
  • Podcast
Nenhum resultado
Ver todos os recultados
Blog Impacto - FGV EAESP Pesquisa
Home Blog Gestão e Negócios

O Código Invisível: Inteligência Artificial, Racismo Estrutural e Saúde Populacional

25 de junho de 2025
O Código Invisível: Inteligência Artificial, Racismo Estrutural e Saúde Populacional

Álvaro Madeira Neto, Médico Sanitarista e Gestor em Saúde, Doutorando em Administração no Programa de Doutorado Profissional em Administração da FGV EAESP. Mestre em Gestão para Competitividade (MPGC) pela FGV EASP. Diretor Médico da Fundação Otília Correia Saraiva – FOCS. Coordenador do Curso de Medicina da UNILEÃO.

O avanço da inteligência artificial (IA) na medicina representa um marco técnico sem precedentes. Contudo, sob a superfície do entusiasmo tecnológico, surge um paradoxo inquietante: a IA, embora apresentada como ferramenta objetiva, pode amplificar preconceitos e desigualdades que atravessam, há séculos, as estruturas sociais.

Conteúdorelacionado

Fechando a trilogia: um outro jeito de dizer se as máquinas pensam ou não

Ativismo de marcas funciona? O que define a autoridade moral das empresas ao defender causas sociais

O Erro Invisível nas Fusões e Aquisições: Quando o Diagnóstico Falha

Um artigo publicado em The Lancet Digital Health (2025), revela que o uso de dados raciais e étnicos em algoritmos de saúde não é, por si só, solução para iniquidades históricas. Pelo contrário, quando esses dados são interpretados a partir de lógicas mercadológicas ou simplificadas, podem intensificar injustiças profundas. O estudo de Obermeyer (2019), por exemplo, evidenciou que algoritmos usados por seguradoras nos Estados Unidos subestimaram em até 50% a necessidade de cuidado de pacientes negros, pois utilizavam o “custo com saúde” como indicador de demanda.

Essa lógica não é um erro de cálculo, ela é o reflexo matematicamente sofisticado de desigualdades estruturais. O racismo estrutural, ao ser digitalizado, apenas muda de idioma. Agora, fala em códigos e decisões automatizadas.

No Brasil, essa engrenagem invisível também opera, mesmo nos marcos de um sistema público universal como o SUS. Um estudo publicado em The Lancet Global Health (2024), com base em mais de 120 mil casos de câncer de mama, revelou que mulheres negras têm 13% menos chance de sobreviver à doença em comparação com mulheres brancas, mesmo quando acessam os mesmos serviços de saúde.

A desigualdade não se limita ao acesso, mas atravessa todo o percurso do cuidado, com diagnósticos tardios e acolhimento clínico marcado por vieses implícitos. A dor dessas mulheres é amplificada pela desumanização institucional. As estruturas de cuidado, em vez de remediar desigualdades históricas, muitas vezes as sofisticam sob protocolos que invisibilizam identidades.

Segundo o IBGE, mais de 80% dos usuários do SUS se autodeclaram negros. Ainda assim, menos de 20% do corpo médico brasileiro é composto por pessoas negras. Esta não é uma coincidência estatística: é a tradução de séculos de exclusão da formação médica, da mobilidade social e da representação nas instituições de poder.

Infraestrutura e raça: quando a água tem cor

Mesmo os serviços considerados essenciais como o acesso à água potável, revelam a persistência do racismo estrutural em escala global. Em Flint, Michigan, mais de 100 mil pessoas, majoritariamente negras, foram expostas durante anos à água contaminada com chumbo. O caso, amplamente documentado, tornou-se símbolo de uma negligência institucional racializada.

Na França, mesmo com 99% de cobertura de saneamento, 77% dos assentamentos ciganos ainda vivem sem acesso à água potável.

Essas situações não são casos isolados. São expressões de como o racismo estrutural se manifesta na ausência: de saneamento, de políticas públicas efetivas, de escuta.

O Brasil e a desigualdade sanitária

No Brasil, a exclusão sanitária tem endereço, cor e classe. Segundo o SNIS (2022), mais de 33 milhões de pessoas vivem sem acesso à água tratada. Entre elas, estão principalmente indígenas, quilombolas, ribeirinhos e moradores das periferias urbanas.

A mortalidade infantil entre crianças indígenas é mais que o dobro da média nacional. A cobertura vacinal nas periferias das grandes cidades segue em queda. As políticas de saúde mental são marcadas por descontinuidade, e a assistência ao parto, profundamente desigual.

Tais indicadores são sintomas de uma racionalidade que, embora eficaz em planilhas, frequentemente falha na escuta sensível e no reconhecimento da pluralidade dos sujeitos do cuidado. O sistema opera com precisão técnica, mas sob uma lógica seletiva, que prioriza alguns e abandona os muitos.

Conclusão: saúde populacional é justiça racial em ação

No fim das contas, o que está em jogo não é apenas a eficácia de um sistema. É a própria noção de humanidade. A transformação estrutural não nasce de decisões solitárias. Exige mudança cultural profunda, e essa mudança precisa reconhecer que os mais vulnerabilizados devem estar no centro da equação sanitária.

A IA pode prever doenças, mas só consciência histórica pode prevenir injustiças. Tecnologia ajuda a salvar, mas só se estiver a serviço da vida. A justiça sanitária, esse horizonte ético que fundou o SUS, precisa ser radicalmente antirracista. De outra forma, não será justiça, nem tampouco, sanitária.

Texto originalmente publicado no blog Gestão e Negócios do Estadão, uma parceria entre a FGV EAESP e o Estadão, reproduzido na íntegra com autorização.

Os artigos publicados na coluna Blog Gestão e Negócios refletem exclusivamente a opinião de seus autores, não representando, necessariamente, a visão da Fundação Getulio Vargas ou do jornal Estadão

CompartilharTweetarCompartilharEnviar

Conteúdo relacionado

Fechando a trilogia: um outro jeito de dizer se as máquinas pensam ou não
Blog Impacto

Fechando a trilogia: um outro jeito de dizer se as máquinas pensam ou não

27 de fevereiro de 2026
Marcas e ONGs em ações sociais praticando ativismo de marcas e debate sobre credibilidade empresarial
Administração de empresas

Ativismo de marcas funciona? O que define a autoridade moral das empresas ao defender causas sociais

26 de fevereiro de 2026
O Erro Invisível nas Fusões e Aquisições: Quando o Diagnóstico Falha
Blog Gestão e Negócios

O Erro Invisível nas Fusões e Aquisições: Quando o Diagnóstico Falha

25 de fevereiro de 2026

Conteúdo recente

Fechando a trilogia: um outro jeito de dizer se as máquinas pensam ou não

Fechando a trilogia: um outro jeito de dizer se as máquinas pensam ou não

27 de fevereiro de 2026
Marcas e ONGs em ações sociais praticando ativismo de marcas e debate sobre credibilidade empresarial

Ativismo de marcas funciona? O que define a autoridade moral das empresas ao defender causas sociais

26 de fevereiro de 2026
O Erro Invisível nas Fusões e Aquisições: Quando o Diagnóstico Falha

O Erro Invisível nas Fusões e Aquisições: Quando o Diagnóstico Falha

25 de fevereiro de 2026

Mais lidos

moça na frente de uma estante com livros

Pesquisa mostra como o ensino em gestão se torna mais relevante quando é político e contextualizado

27 de janeiro de 2026
Pessoa em situação pública demonstrando constrangimento após comportamento inadequado de alguém do mesmo grupo e tomando uma atitude sobre isso

Por que nos sentimos constrangidos pelo erro de um estranho e tentamos consertar a situação

2 de fevereiro de 2026
Ilustração mostrando diferentes prazos de contratos usados para proteção financeira de empresas de variações de preços.

Hora de amadurecer: como empresas decidem o tempo ideal de proteção financeira

19 de janeiro de 2026
pesquisa sobre os riscos da inteligência artificial generativa

O lado sombrio da Inteligência Artificial Generativa para aprendizagem

30 de dezembro de 2025
A força das instituições de um país reduz o apoio do governo aos bancos.

Como o apoio do governo aos bancos muda conforme a força das instituições de cada país

24 de dezembro de 2025
A Influência dos Stakeholders na Administração Pública

A Influência dos Stakeholders na Administração Pública

1 de novembro de 2024

Tags

administração pública bem estar consumo coronavírus corrupção covid-19 desenvolvimento sustentável diversidade educação empreendedorismo empresas ESG Estratégia FGV EAESP finanças gestão gestão de saúde gestão pública gênero inovação Inteligência Artificial liderança marketing mudanças climáticas mulheres Notícias internas ODS 3 ODS3 ODS 8 ODS 9 ODS 10 ODS 12 ODS 16 organizações pandemia política pública políticas públicas saúde saúde de qualidade saúde pública supply chain SUS sustentabilidade trabalho transparência
#podcast Impacto: A relação entre autonomia e desempenho de Defensorias Públicas na América Latina

Podcast Impacto

29 Episode
Subscribe
  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

#PodcastImpacto – Urbanismo feminista: o caso de Barcelona

16 de setembro de 2025
  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

#PodcastImpacto: Agentes prisionais e emoções no trabalho

18 de agosto de 2025
  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

#PodcastImpacto: Eficiência e acesso em saúde: o que podemos aprender com sistemas universais em países em desenvolvimento?

11 de julho de 2025
  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

#PodcastImpacto: Como a gestão municipal pode reduzir desigualdades educacionais?

12 de junho de 2025
  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

#PodcastImpacto – Feminist Foreign Policy: liderança feminina e cultura política internacional

10 de abril de 2025
Disseminação do conhecimento
Catálogo dos Centros de Estudos

As manifestações expressas por integrantes dos quadros da Fundação Getulio Vargas, nas quais constem a sua identificação como tais, em artigos e entrevistas publicados nos meios de comunicação em geral, representam exclusivamente as opiniões dos seus autores e não, necessariamente, a posição institucional da FGV. Portaria FGV Nº19

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

Nenhum resultado
Ver todos os recultados
  • Adm. de empresas
  • Adm. pública
  • Notícias
  • Colunas
    • Blog Impacto
    • Blog Gestão e Negócios
  • Vídeos
  • Podcast

-
00:00
00:00

Queue

Update Required Flash plugin
-
00:00
00:00