A presença de mulheres na liderança tem sido cada vez mais discutida no mundo corporativo. Ainda assim, muitas empresas avançam lentamente quando o assunto é diversidade em cargos de decisão. Nesse contexto, uma pergunta continua recorrente: incluir mais mulheres na liderança melhora os resultados financeiros das empresas?
Um estudo recente ajuda a responder essa questão ao analisar dados de empresas brasileiras ao longo de uma década. A pesquisa foi conduzida por Claudia Yoshinaga, da FGV EAESP, em conjunto com Leticia Bellato e Nathália Ruggiero Gil, e publicada na revista Gender, Work, and Organization. As autoras acompanharam empresas listadas na bolsa brasileira entre 2010 e 2020, observando a presença de mulheres em conselhos de administração e diretorias executivas. Em seguida, compararam esses dados com o desempenho financeiro das empresas, medido por um indicador que reflete a percepção do mercado sobre o valor dos negócios.
Mulheres na liderança em conselhos e diretorias
Os resultados mostram, antes de tudo, que a participação feminina ainda é limitada. Embora tenha havido crescimento ao longo dos anos, as mulheres ocupam cerca de 12% dos cargos nesses espaços. Além disso, muitas empresas ainda não possuem nenhuma mulher em posições estratégicas, especialmente nas diretorias executivas.
Ao analisar os dados, as pesquisadoras chegaram a um ponto central: a presença de mulheres na liderança não altera o desempenho financeiro das empresas. Ou seja, não há impacto positivo, mas também não há impacto negativo. Esse resultado se manteve mesmo após diferentes análises e comparações.
Esse achado é importante porque desmonta uma ideia comum no ambiente corporativo. Frequentemente, a diversidade é defendida apenas quando associada a ganhos financeiros. No entanto, o estudo mostra que esse não deve ser o único critério. Afinal, se a presença feminina não prejudica os resultados, não há justificativa para a baixa representatividade. Além disso, o avanço da participação feminina acontece de forma lenta. Apesar de mais empresas terem ao menos uma mulher em seus conselhos, a quantidade ainda é insuficiente para influenciar de forma consistente as decisões.
Portanto, a principal conclusão da pesquisa é que o desempenho financeiro não explica a desigualdade de gênero nas empresas. Na prática, essa diferença reflete barreiras históricas que ainda dificultam o acesso das mulheres aos cargos mais altos.
Além disso, promover mulheres na liderança não deve ser visto apenas como uma estratégia de negócios. Trata-se também de uma questão de representatividade, justiça e alinhamento com as demandas da sociedade atual. Empresas mais diversas tendem a ser mais conscientes, inclusivas e preparadas para desafios complexos.
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