A saúde mental no trabalho tornou-se um dos principais desafios da atualidade. Isso ocorre porque mudanças recentes, como o aumento da pressão por resultados, a flexibilização de contratos e o avanço tecnológico, vêm transformando a forma como as pessoas trabalham. Ao mesmo tempo, essas mudanças impactam diretamente o bem-estar dos profissionais. Por um lado, o trabalho pode gerar sentido e pertencimento. Por outro, ambientes com excesso de demandas e pouca autonomia podem causar sofrimento e afastamentos.
O documento foi elaborado por Dalton Cusciano, Alberto Ogata, Ana Maria Malik e João Silvestre da Silva-Júnior, a partir do Seminário Nacional de Saúde Mental e Trabalho, realizado em 2025. A iniciativa reúne contribuições da Fundacentro, da FGV EAESP e da Faculdade de Medicina da USP. A pesquisa organiza evidências científicas, dados do cenário brasileiro e referências sobre prevenção e vigilância, com base em discussões entre especialistas das áreas de saúde, gestão e segurança do trabalho.
Saúde mental no trabalho: desafios, prevenção e caminhos possíveis
Os resultados mostram que os transtornos mentais já estão entre as principais causas de afastamento no Brasil. No entanto, ainda há dificuldade em reconhecer quando o problema está relacionado ao trabalho. Isso acontece porque muitos casos não são registrados corretamente e porque o tema ainda enfrenta estigma.
Além disso, fatores de risco costumam aparecer juntos. Demandas excessivas, jornadas longas e insegurança no emprego, por exemplo, tendem a se combinar. Como consequência, criam ambientes que favorecem o adoecimento. Por isso, especialistas reforçam que não basta focar apenas no indivíduo. É necessário rever a forma como o trabalho é organizado.
Nesse contexto, a pesquisa destaca três níveis de prevenção. Primeiro, a prevenção primária busca eliminar riscos na origem, com mudanças na gestão, liderança e organização do trabalho. Em seguida, a prevenção secundária atua na identificação precoce de sinais de sofrimento, oferecendo apoio antes que o problema se agrave. Por fim, a prevenção terciária foca na recuperação, reabilitação e retorno ao trabalho de forma sustentável.
Outro ponto importante é o avanço nas políticas públicas. A inclusão de transtornos mentais na Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho representa um passo relevante. Isso porque reconhece oficialmente a ligação entre trabalho e saúde mental. Ainda assim, o estudo aponta desafios na aplicação dessas normas no dia a dia das organizações.
Portanto, os autores defendem uma abordagem integrada. Isso envolve empresas, governo e sistema de saúde atuando de forma conjunta. Além disso, recomendam ações práticas, como mapear riscos psicossociais, criar canais de acolhimento e monitorar continuamente os indicadores de saúde mental.
Em síntese, promover a saúde mental no trabalho exige compromisso contínuo. Mais do que isso, requer mudanças estruturais que tornem os ambientes mais saudáveis, seguros e inclusivos.
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