• Sobre o Blog Impacto
  • FGV EAESP
  • FGV EAESP Pesquisa
  • Acontece
    • Notícias
    • Eventos
  • Para alunos
    • Serviços para alunos
    • Comunidade FGV
  • Para candidatos
  • Para empresas
    • Soluções para empresas
    • Clube de parceiros FGV
  • Alumni
  • Contato
Blog Impacto - FGV EAESP Pesquisa
  • Adm. de empresas
  • Adm. pública
  • Notícias
  • Colunas
    • Blog Impacto
    • Blog Gestão e Negócios
  • Vídeos
  • Podcast
Nenhum resultado
Ver todos os recultados
Blog Impacto - FGV EAESP Pesquisa
Home Administração pública

Pesquisa analisa evolução das regras orçamentárias e explica a racionalidade por detrás do orçamento secreto e das emendas PIX

17 de agosto de 2026
Ilustração representa o orçamento secreto e as emendas parlamentares, com destaque para documentos orçamentários, dinheiro público e símbolos de transparência e fiscalização.

Resumo da pesquisa

1. O chamado orçamento secreto e as emendas PIX no Brasil resultaram em desvios dentro do orçamento da União desde 2020.

2. O que explica isso, analiticamente, usando teoria dos jogos, é a estrutura de incentivos que implica equilíbrios como tragédia do uso de recursos comuns.

3. A situação resulta da combinação entre o conflito distributivo inerente a um país com municípios muito desiguais e os incentivos distorcidos gerados pelo presidencialismo de cooptação.


Pesquisador(es):

Marcos Fernandes Gonçalves da Silva

Marco Antonio Carvalho Teixeira

Alexis Galiás de Souza Vargas

Imagine descobrir que uma fatia relevante do dinheiro que paga hospitais, estradas e escolas na sua cidade foi decidida por alguém que, oficialmente, ninguém consegue identificar. Foi exatamente isso que aconteceu no Brasil entre 2020 e 2022, num episódio que ficou conhecido como orçamento secreto.

Entender essa história, e o que veio depois dela, ajuda a explicar por que o país viveu, nos últimos anos, uma das disputas mais silenciosas e mais decisivas de sua democracia recente. Para tanto, foi feita uma pesquisa baseada na revisão de literatura sobre economia política do orçamento, controle da corrupção e a análise da evolução das regras orçamentárias no Brasil. Usou-se uma abordagem de jogos para identificar a racionalidade por detrás do processo de desmantelamento da ordem orçamentária. O artigo foi publicado na revista acadêmica Rendición de Cuentas . Os pesquisadores são Marcos Fernandes Gonçalves da Silva, Marco Antonio Teixeira Carvalho e Alexis Vargas, da FGV EAESP.

Conteúdorelacionado

Como servidores públicos podem proteger a democracia por dentro das organizações

A batalha quixotesca da saúde no Brasil: por que combatemos sintomas e ignoramos as causas da corrupção

China e Estados Unidos não vivem uma “Guerra Fria 2.0”: o que os dados realmente mostram sobre essa relação

Tudo começou com um código contábil: o RP9. A partir de 2020, esse identificador passou a marcar recursos incluídos no orçamento pelo relator-geral, o parlamentar responsável por costurar o parecer final da proposta orçamentária no Congresso. Diferentemente de outras emendas, vinculadas a um parlamentar ou a uma bancada identificáveis por lei, as emendas de relator não diziam quem havia pedido o dinheiro, nem para onde ele realmente ia. Em 2020, elas já respondiam por mais da metade — 51,89% — de tudo o que foi movimentado em emendas parlamentares naquele ano. Em 2021, a proporção seguiu praticamente igual.

Como o fim do orçamento secreto deu lugar a novos mecanismos de distribuição de recursos públicos

O problema não era só a falta de identificação. O Tribunal de Contas da União constatou que o instrumento, criado para corrigir erros e omissões no orçamento, vinha sendo usado para bem mais do que isso, pressionando o cancelamento de despesas obrigatórias e concentrando recursos de forma pouco explicável em determinados municípios. Em dezembro de 2022, o Supremo Tribunal Federal declarou o modelo inconstitucional, por violar os princípios de publicidade, impessoalidade e transparência que deveriam reger qualquer gasto público, e obrigou a divulgação retroativa de quem pediu e recebeu cada real distribuído entre 2020 e 2022.

Fechada essa porta, no entanto, os incentivos que a haviam criado continuaram de pé — e um novo instrumento ganhou força: a chamada emenda PIX, que transfere dinheiro diretamente a prefeituras e governos estaduais, sem exigir convênio, plano de trabalho ou cronograma prévio. Rápida e prática, ela também dispensou boa parte das salvaguardas de rastreabilidade. Em 2024, 78% dos parlamentares que usaram esse tipo de emenda deixaram de detalhar destinatário final ou finalidade do gasto em pelo menos uma delas. Entre 2021 e 2025, o total pago em emendas parlamentares quase dobrou, crescendo quatro vezes mais rápido que o orçamento federal como um todo.

O problema vai além dos políticos e está nas regras

Por que isso se repete, ano após ano, seja qual for o governo? A resposta está menos na índole dos políticos e mais no desenho das regras do jogo. O Brasil tem uma das fragmentações partidárias mais altas do mundo — na última eleição, 20 partidos elegeram deputados, e os dois maiores somaram menos de 36% das cadeiras. Qualquer presidente precisa negociar apoio com dezenas de legendas para governar. Quando essa negociação deixa de passar por ministérios e programas de governo compartilhados e passa a depender de repasses discricionários de dinheiro, cada parlamentar ganha um incentivo individual para extrair o máximo de recursos para sua base, mesmo sabendo que o uso descoordenado desses recursos, somado, produz um resultado pior para todos: menos planejamento, mais fragmentação, mais espaço para irregularidades. É o mesmo dilema que explica por que recursos naturais de uso comum ou compartilhado tendem a ser sobre-explorados, pois ninguém individualmente tem interesse individual em preservá-los.

Os efeitos práticos já aparecem nos dados, especialmente na saúde. Entre 2019 e 2024, os valores pagos via emendas para atenção especializada cresceram mais de 79% para estados e 120% para municípios, crescimento que, à primeira vista, parece positivo, mas que veio acompanhado de forte desigualdade regional e do direcionamento de quase um terço desses recursos a entidades privadas sem fins lucrativos, sobre as quais praticamente não há monitoramento consolidado.

Entre 2023 e 2025, o Judiciário, os tribunais de contas e a Controladoria-Geral da União reagiram com uma combinação pouco comum de decisões, normas e auditorias, criando regras de rastreabilidade que hoje tornam o sistema mais transparente do que era. Mas a experiência recente deixa um alerta: fechar uma porta sem mudar os incentivos que a abriram tende a apenas empurrar a opacidade para o próximo instrumento disponível. Regular bem o orçamento não é detalhe técnico: é requisito básico para que a democracia funcione para quem depende dela, ou seja, a cidadania.

Leia o artigo na íntegra.

Foto: Antonio Augusto/STF

Tags: corrupçãoeconomia políticaemendas PIXLei Orçamentária (LOA)ODS 16orçamento secretopresidencialismo de cooptação
CompartilharTweetarCompartilharEnviar

Conteúdo relacionado

Servidores públicos discutindo estratégias de resistência a pressões antidemocráticas em ambiente institucional
Administração pública

Como servidores públicos podem proteger a democracia por dentro das organizações

15 de julho de 2026
A batalha quixotesca da saúde no Brasil: por que combatemos sintomas e ignoramos as causas da corrupção
Blog Impacto

A batalha quixotesca da saúde no Brasil: por que combatemos sintomas e ignoramos as causas da corrupção

2 de julho de 2026
Relações diplomáticas e comerciais entre China e Estados Unidos no século XXI
Administração pública

China e Estados Unidos não vivem uma “Guerra Fria 2.0”: o que os dados realmente mostram sobre essa relação

16 de março de 2026

Conteúdo recente

Ilustração representa o orçamento secreto e as emendas parlamentares, com destaque para documentos orçamentários, dinheiro público e símbolos de transparência e fiscalização.

Pesquisa analisa evolução das regras orçamentárias e explica a racionalidade por detrás do orçamento secreto e das emendas PIX

17 de agosto de 2026
Sustentabilidade Subiu ao CORE da Estratégia

Sustentabilidade Subiu ao CORE da Estratégia

16 de agosto de 2026
Liderança estratégica em equipes com executivos reunidos discutindo estratégias e decisões conjuntas

Por que desenvolver líderes individualmente pode não ser suficiente para transformar uma empresa

14 de agosto de 2026

Mais lidos

Eleitorados sintéticos: uma ferramenta de marketing político que ainda fará parte de sua campanha

Eleitorados sintéticos: uma ferramenta de marketing político que ainda fará parte de sua campanha

3 de agosto de 2026
FGV EAESP lança Relatório de Impacto 2025/2026

FGV EAESP lança Relatório de Impacto 2025/2026

1 de julho de 2026
A batalha quixotesca da saúde no Brasil: por que combatemos sintomas e ignoramos as causas da corrupção

A batalha quixotesca da saúde no Brasil: por que combatemos sintomas e ignoramos as causas da corrupção

2 de julho de 2026
Servidores públicos discutindo estratégias de resistência a pressões antidemocráticas em ambiente institucional

Como servidores públicos podem proteger a democracia por dentro das organizações

15 de julho de 2026
: Pesquisadores analisando dados de pesquisa experimental para melhorar políticas públicas e decisões na administração pública.

Pesquisa experimental fortalece decisões baseadas em evidências na Administração Pública

16 de julho de 2026
Fintechs socioambientais usam tecnologia digital para promover inclusão financeira e impacto sustentável em comunidades

Fintechs socioambientais: como a tecnologia pode ampliar a inclusão financeira e gerar impacto sustentável

22 de julho de 2026

Tags

administração pública bem estar consumo coronavírus corrupção covid-19 desenvolvimento sustentável diversidade educação empreendedorismo empresas ESG Estratégia FGV EAESP finanças gestão gestão de saúde gestão pública gênero inovação Inteligência Artificial liderança marketing mulheres Notícias internas ODS 3 ODS3 ODS 4 ODS 8 ODS 9 ODS 10 ODS 12 ODS 16 organizações pandemia política pública políticas públicas saúde saúde de qualidade saúde pública supply chain SUS sustentabilidade trabalho transparência
#podcast Impacto: A relação entre autonomia e desempenho de Defensorias Públicas na América Latina

Podcast Impacto

30 Episode
Subscribe
  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

Ativismo corporativo: quando o posicionamento das empresas gera apoio e rejeição

6 de abril de 2026
  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

#PodcastImpacto – Urbanismo feminista: o caso de Barcelona

16 de setembro de 2025
  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

#PodcastImpacto: Agentes prisionais e emoções no trabalho

18 de agosto de 2025
  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

#PodcastImpacto: Eficiência e acesso em saúde: o que podemos aprender com sistemas universais em países em desenvolvimento?

11 de julho de 2025
  • Add to Queue
  • Share
    Facebook Twitter Linked In WhatsApp

#PodcastImpacto: Como a gestão municipal pode reduzir desigualdades educacionais?

12 de junho de 2025
Disseminação do conhecimento
Catálogo dos Centros de Estudos

As manifestações expressas por integrantes dos quadros da Fundação Getulio Vargas, nas quais constem a sua identificação como tais, em artigos e entrevistas publicados nos meios de comunicação em geral, representam exclusivamente as opiniões dos seus autores e não, necessariamente, a posição institucional da FGV. Portaria FGV Nº19

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

Nenhum resultado
Ver todos os recultados
  • Adm. de empresas
  • Adm. pública
  • Notícias
  • Colunas
    • Blog Impacto
    • Blog Gestão e Negócios
  • Vídeos
  • Podcast

-
00:00
00:00

Queue

Update Required Flash plugin
-
00:00
00:00