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Presença de diretores externos em conselhos pode melhorar o desempenho financeiro em empresas familiares

8 de março de 2024
Presença de diretores externos em conselhos pode melhorar o desempenho financeiro em empresas familiares

Resumo da pesquisa

Resumo da Pesquisa:

  • Os efeitos da presença de diretores externos no conselho de administração podem ser diferentes entre empresas familiares e não familiares, no que diz respeito ao desempenho financeiro;
  • Há uma relação entre independência do conselho e desempenho financeiro de curto prazo para empresas familiares;
  • Empresas familiares utilizam seus recursos de forma mais eficiente e superam as empresas não familiares quando um membro da família atua como CEO, e o desempenho é ainda melhor do que com um CEO externo.

Pesquisador(es):

Pesquisador(es):

Samy Mesnik

Marina Gama

Jorge Carneiro

O conselho de administração é essencial na governança corporativa, especialmente em empresas familiares, que representam a maioria das empresas na América Latina. Essas empresas dependem da influência dos membros da família, da alta administração e do conselho para garantir uma gestão eficaz. Diretores externos desempenham um papel crucial ao trazer conhecimento e conexões valiosas, além de monitorar e disciplinar os gestores. Estudos indicam que a gestão familiar tende a resultar em um desempenho ainda melhor do que com CEO externo, destacando a importância da relação entre propriedade e gestão familiar para a estabilidade e sustentabilidade das empresas.

Para analisar o efeito da presença de diretores externos em conselhos, foi feito o estudo dos pesquisadores da FGV EAESP, Samy Mesnik, Marina Gama e Jorge Carneiro, publicado na Revista Brasileira de Gestão de Negócios. Para isso, foi construído o maior banco de dados sobre a composição do conselho de empresas familiares e não familiares em um país emergente, onde as empresas familiares são mais proeminentes.

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O banco de dados é extenso e atualizado, contendo de mais de 370 empresas listadas publicamente na bolsa de valores brasileira entre 2010 e 2021, sendo amplamente representativo. Os dados de composição do conselho foram obtidos da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), e os indicadores contábeis ou financeiros foram extraídos do software Economatica. Os dados foram trabalhados visando as medidas de desempenho das empresas, análise conjunta dos indicadores financeiros (retorno sobre patrimônio líquido, retorno sobre ativos e Q de Tobin – a razão entre o valor de mercado de um ativo físico e seu valor de reposição). Também foi realizada uma análise de cluster, que envolve um método estatístico de agrupamento de característica. Por fim, as análises foram aplicadas a três variáveis de resposta diferentes e análise de robustez, a fim de obter uma perspectiva mais ampla e reduzir o viés dos resultados.

Os resultados do estudo indicam que há uma relação entre a independência do conselho e o desempenho financeiro de curto prazo em empresas familiares. A pesquisa mostra que os diretores externos impactam positivamente o desempenho financeiro dessas empresas quando não há dualidade de CEO – o que significa que o CEO também é o presidente do conselho. No entanto, quando essa dualidade está presente, o efeito é o oposto, pois ela aumenta o poder do CEO sobre o conselho, dificultando sua independência.

Por outro lado, a literatura discute várias implicações da presença de diretores externos, como conhecimento limitado sobre a empresa e possíveis conflitos de decisão. No entanto, empresas familiares tendem a ser mais inovadoras, envolvidas com suas comunidades e lucrativas para acionistas e stakeholders, especialmente quando um membro da família atua como CEO. A presença de diretores externos, portanto, afeta positivamente o desempenho financeiro, especialmente em empresas familiares, onde a família tem mais controle sobre o negócio.

O estudo sugere que os diretores externos podem promover transparência, conformidade e decisões corporativas voltadas para o longo prazo e a sustentabilidade. Suas contribuições são mais significativas em empresas familiares, exceto em casos de dualidade do CEO, e estão associadas à mitigação da aversão ao risco, restrições de capital e outras restrições enfrentadas por essas empresas.

 

Tags: conselho diretorempresas familiaresgovernança corporativa
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