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Blog Impacto - FGV EAESP Pesquisa
Home Administração de empresas

Superendividamento das famílias cresce no Brasil e acende alerta sobre crédito caro

22 de junho de 2026
Família brasileira analisando contas e dívidas em casa, representando o superendividamento das famílias no Brasil

Resumo da pesquisa

  1. O Índice de Desconforto de Crédito (IDC) atingiu 0,94 em janeiro de 2026, o maior nível da série desde 2015.
  2. O crescimento do crédito para pessoas físicas está concentrado em modalidades mais caras, como cartão de crédito e empréstimos pessoais.
  3. Programas de renegociação ajudam temporariamente, mas não resolvem as causas estruturais do superendividamento.

Pesquisador(es):

Lauro Gonzalez

Rafael Schiozer

Matheus Carrijo

O aumento do crédito no país vem transformando a relação das pessoas com o dinheiro. Porém, o avanço do superendividamento das famílias no Brasil mostra que, apesar de indicadores econômicos positivos, milhões de brasileiros ainda enfrentam dificuldades para equilibrar as contas no fim do mês. Esse cenário chamou a atenção de pesquisadores da FGV EAESP, que desenvolveram um novo indicador para medir o impacto do endividamento na vida da população.

O estudo foi desenvolvido pelos pesquisadores Lauro Gonzalez, Rafael Schiozer e Matheus Carrijo, do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira, FGVcemif. A pesquisa utiliza dados públicos do Banco Central para construir o Índice de Desconforto de Crédito (IDC), uma métrica que reúne informações sobre inadimplência, comprometimento de renda e qualidade do crédito contratado pelas famílias brasileiras.

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Para chegar ao índice, os pesquisadores analisaram séries históricas do Sistema Financeiro Nacional desde 2014. O objetivo foi criar uma ferramenta capaz de mostrar não apenas o volume de dívidas, mas também a pressão financeira causada pelo tipo de crédito utilizado pela população.

Superendividamento das famílias no Brasil avança com crédito mais caro

O estudo mostra que o crescimento do crédito no Brasil ocorreu principalmente entre pessoas físicas. Porém, em vez de aumentar em modalidades mais seguras e ligadas à formação de patrimônio, como o crédito imobiliário, a expansão se concentrou em linhas voltadas ao consumo imediato.

Entre elas estão o cartão de crédito rotativo, o crédito pessoal e o consignado. Essas modalidades costumam ter juros elevados e, além disso, são ofertadas de forma cada vez mais agressiva por plataformas digitais e aplicativos financeiros.

Dívidas pesam mais no orçamento das famílias

Como consequência, o peso das dívidas no orçamento aumentou significativamente. Segundo os dados analisados, a cada R$ 100 de renda familiar, cerca de R$ 29,30 já estão comprometidos com pagamento de dívidas e juros. Esse cenário ajuda a explicar o crescimento do superendividamento das famílias no Brasil, especialmente entre consumidores que dependem de modalidades de crédito com juros elevados.

Além disso, o levantamento aponta que quase metade dos adultos brasileiros possui dívidas em atraso. Em março de 2026, cerca de 80 milhões de CPFs estavam negativados no país.

Para medir esse cenário, os pesquisadores criaram o IDC, que combina três fatores principais: inadimplência, comprometimento de renda e qualidade do crédito. Na prática, o índice busca entender não apenas se as famílias estão endividadas, mas também o quanto essas dívidas afetam sua qualidade de vida.

Durante a pandemia, o indicador caiu temporariamente devido aos programas de renegociação oferecidos pelos bancos e às políticas emergenciais. Entretanto, no período pós-pandemia, o desconforto financeiro voltou a crescer rapidamente.

O IDC atingiu 0,94 em janeiro de 2026, o maior patamar registrado desde o início da série histórica. Isso significa que o desconforto financeiro das famílias brasileiras chegou a 94% do maior nível possível dentro da metodologia criada pelos pesquisadores.

Segundo os pesquisadores, uma das principais novidades do índice é considerar a qualidade do crédito contratado. Isso porque dívidas mais caras tendem a ampliar o risco de superendividamento e reduzir a sensação de bem-estar financeiro das famílias.

Pesquisa aponta necessidade de mudanças estruturais

Os pesquisadores também alertam que programas de renegociação, como o Desenrola, ajudam apenas no curto prazo. Embora tragam alívio temporário, eles não resolvem problemas estruturais do mercado de crédito brasileiro.

Por isso, o estudo defende medidas mais amplas, como maior supervisão sobre modalidades de crédito sem garantia, limites para empréstimos considerados mais arriscados e mudanças regulatórias que reduzam a dependência das famílias em linhas de crédito com juros elevados.

Ao reunir diferentes dimensões do endividamento em um único indicador, o IDC oferece uma visão mais completa da realidade financeira das famílias brasileiras. Além disso, o estudo reforça a importância de políticas públicas voltadas não apenas ao acesso ao crédito, mas também à qualidade e sustentabilidade desse acesso ao longo do tempo.

Leia o artigo na íntegra.

Tags: bem estar financeirocartão de créditocrédito carocrédito pessoalendividamento das famíliasinadimplênciainclusão financeiraODS 1superendividamento
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