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Expandir ou Rentabilizar? A Estratégia Dual na Competitividade Global

28 de abril de 2025
Expandir ou Rentabilizar? A Estratégia Dual na Competitividade Global

Mauro Loureiro Junior – Pós-Graduando do Doutorado Profissional em Administração da FGV EAESP.

No mundo dos negócios, a estagnação não é uma opção. Empresas que buscam crescimento e consolidação no mercado global precisam equilibrar a maximização de lucro com a expansão. Essa estratégia, adotada por algumas das corporações mais bem-sucedidas, permite adaptação a diferentes realidades de mercado e garante competitividade. A Amazon exemplifica essa abordagem de maneira clara.

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Richard Rumelt, estrategista renomado, argumenta que uma estratégia eficaz começa com um diagnóstico preciso dos desafios da empresa. No caso da Amazon, três fatores sustentam sua posição de liderança. Primeiro, o efeito setor: o e-commerce global segue crescendo acima do varejo físico, com projeções indicando faturamento de US$ 8 trilhões nos próximos anos. Segundo, o efeito corporação: a diversificação em serviços como computação em nuvem (AWS), streaming (Prime Video) e dispositivos tecnológicos (Kindle e Echo) fortalece seu ecossistema. Terceiro, o efeito empresa: a eficiência logística combinada com um amplo sortimento de produtos garante sua vantagem competitiva em mercados desenvolvidos.

O desempenho, entretanto, varia conforme a geografia. Em mercados emergentes, como o Brasil, a Amazon enfrenta desafios diante de concorrentes locais que possuem maior influência sobre fornecedores e relações mais diretas com consumidores. O modelo de valor de Brito e Brito (2012) ajuda a entender como empresas ajustam estratégias em diferentes níveis de maturidade de mercado. O modelo aponta que o valor criado por uma empresa não equivale ao valor apropriado, pois depende da disposição a pagar dos consumidores e do custo de oportunidade dos fornecedores. No caso da Amazon, isso se traduz na forma como adapta preços e negociações. Em mercados consolidados, onde tem posição dominante, captura maior parte do valor criado por meio do aumento de preços e taxas. Já em mercados emergentes, onde busca escala, transfere parte do valor a consumidores e fornecedores por meio de preços mais baixos e incentivos. No Brasil, por exemplo, a assinatura do Amazon Prime custa R$ 19,90 mensais ou R$ 166,80 anuais, enquanto nos Estados Unidos o mesmo serviço é vendido por US$ 14,99 mensais ou US$ 139 anuais, evidenciando uma estratégia de penetração.

Os resultados financeiros recentes refletem a eficácia dessa abordagem. No quarto trimestre de 2024, a Amazon registrou lucro líquido de US$ 20 bilhões, quase o dobro do mesmo período em 2023. A receita total do trimestre atingiu US$ 187,8 bilhões, impulsionada pelo aumento de 19% nas vendas da AWS, que somaram US$ 28,8 bilhões. No acumulado do ano, o faturamento chegou a US$ 638 bilhões, um crescimento de 11% em relação a 2023. Esses números reforçam a eficiência da estratégia para equilibrar crescimento e rentabilidade.

Além disso, a Amazon tem investido fortemente em inteligência artificial (IA). Em 2024, destinou cerca de US$ 105 bilhões para capital, um aumento de 35% em relação ao ano anterior, priorizando a expansão da AWS e o desenvolvimento de tecnologias de IA. Isso reforça que inovação e diversificação de negócios são essenciais para a sustentabilidade do crescimento.

A lógica estratégica é clara: conquistar mercado oferecendo valor competitivo a consumidores e fornecedores e, posteriormente, capturar uma parcela maior desse valor conforme consolida sua posição. O desafio futuro será manter esse modelo quando os mercados emergentes atingirem maturidade. A resposta provavelmente estará na inovação, na ampliação de serviços complementares e no desenvolvimento de novos segmentos. Independentemente do cenário, a estratégia dual continua sendo um fator-chave para o sucesso empresarial e um estudo relevante para profissionais interessados na dinâmica da competitividade global.

Texto originalmente publicado no blog Gestão e Negócios do Estadão, uma parceria entre a FGV EAESP e o Estadão, reproduzido na íntegra com autorização.

Os artigos publicados na coluna Blog Gestão e Negócios refletem exclusivamente a opinião de seus autores, não representando, necessariamente, a visão da Fundação Getulio Vargas ou do jornal Estadão

 

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