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Cuidado centrado no paciente: por que operadoras de saúde precisam mudar a forma de atender

14 de agosto de 2025
Cozinhas solidárias ajudam a combater a fome e promovem inclusão nas periferias urbanas

Resumo da pesquisa

  1. Gestores de operadoras de saúde reconhecem a importância do cuidado centrado no paciente, mas apontam dificuldades para sua implementação.
  2. O modelo atual de saúde suplementar, fragmentado e focado em especializações, é visto como barreira à integração do cuidado.
  3. Mudança cultural nas organizações, educação dos pacientes e integração de dados são passos essenciais para melhorar a qualidade da assistência.

Pesquisador(es):

Mariana Jordão Di Chiacchio

Alberto José Niituma Ogata

Ana Maria Malik

Iara Bernz

Cuidar da saúde não é só tratar doenças. Cada vez mais, fala-se na importância de um modelo que coloque o paciente no centro das decisões, levando em conta sua história, contexto social, emocional e cultural. Essa abordagem — chamada de cuidado centrado no paciente — valoriza o envolvimento ativo da pessoa atendida e de seus familiares nos caminhos do tratamento. Mas como essa ideia tem sido aplicada pelas operadoras de planos de saúde no Brasil?

Os pesquisadores Ana Maria Malik e Alberto Ogata (FGV EAESP), em parceria com Mariana Jordão Di Chiacchio e Iara Bernz investigaram como gestores de operadoras de saúde percebem o cuidado centrado no paciente. Publicaram o estudo na Revista Brasileira de Saúde Suplementar.

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Para isso, os autores ouviram oito gestores de diferentes regiões e formações (Medicina, Enfermagem e Administração). A metodologia usada foi qualitativa, com entrevistas analisadas por meio da técnica de análise de conteúdo de Bardin, uma ferramenta comum em estudos sociais.

O que os gestores pensam sobre o cuidado centrado no paciente

Os entrevistados reconhecem que um cuidado mais integrado e personalizado é essencial para melhorar a qualidade da assistência. No entanto, também apontam obstáculos importantes — como o atual modelo da saúde suplementar, fragmentado e excessivamente centrado em especialidades. Nesse cenário, há pouca comunicação entre os profissionais e ausência de coordenação efetiva do cuidado. Além disso, a falta de integração entre os sistemas de informação dificulta uma visão completa da trajetória de cada paciente. Para muitos gestores, sem acesso unificado aos dados, não é possível oferecer um cuidado de qualidade e bem coordenado.

Mudança de cultura e foco no empoderamento do paciente

Outro ponto destacado no estudo é que essa transformação exige uma mudança cultural profunda nas operadoras de saúde. Elas precisam ir além da lógica da oferta de serviços e adotar um olhar voltado para a saúde da população. Isso passa por educar e empoderar os pacientes, ajudando-os a compreender e participar mais ativamente de seus cuidados.

A substituição do termo “paciente” por “cliente”, apontada pelos entrevistados, revela uma tentativa de focar mais na experiência de quem utiliza o serviço — algo cada vez mais valorizado no setor.

Embora a implementação do cuidado centrado no paciente envolva custos e desafios, os entrevistados acreditam que esse modelo pode trazer ganhos em eficiência e reduzir desperdícios no longo prazo. Ferramentas como sistemas de business intelligence (BI), acreditações e protocolos clínicos padronizados são vistas como aliadas importantes nesse processo

Por fim, o estudo reforça que a liderança dos gestores é fundamental para alinhar práticas internas e incentivar um modelo de saúde mais humano, eficiente e sustentável. Tudo isso com foco genuíno no bem-estar das pessoas.

Leia o artigo na integra.

Nota: alguns artigos podem apresentar restrições de acesso.

Tags: Cuidado centrado no pacienteexperiência do pacienteGestão em saúdeIntegralidade em saúdeODS 3operadoras de saúdeSaúde suplementar
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