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Blog Impacto - FGV EAESP Pesquisa
Home Administração de empresas

O arco e a flecha da inovação na indústria

26 de setembro de 2025
O arco e a flecha da inovação na indústria

Resumo da pesquisa

  1. O estudo mostra que equipamento e tecnologia exclusivos da empresa não garantem desempenho superior, mas podem ser uma fonte de vantagem quando combinados a mecanismos adequados, como o treinamento.
  2. A antecipação de novas tecnologias depende da capacidade das empresas de treinar e preparar funcionários, conectando o conhecimento já existente ao novo.
  3. A pesquisa revela que o treinamento é o elo essencial entre tecnologia, inovação e desempenho competitivo.

Pesquisador(es):

Fernando Picasso

Ely Paiva

Na corrida pela inovação na indústria e pela competitividade na Indústria 4.0, muitas empresas apostam em tecnologias de ponta, mas esquecem que o segredo pode estar dentro de casa: os equipamentos próprios desenvolvidos internamente. Assim como um arco precisa de flechas e treinamento para acertar o alvo, as soluções tecnológicas internas e exclusivas da empresa (equipamento proprietário) só se transformam em vantagem competitiva quando bem explorados e difundidos por meio de capacitação.

O estudo foi desenvolvido por Fernando Picasso e Ely Paiva, pesquisador da FGV EAESP, e publicado na prestigiada revista Rausp Management Journal. Para a análise, os pesquisadores usaram dados da quarta rodada do projeto High-Performance Manufacturing (HPM), abrangendo 270 fábricas em 15 países de três setores industriais. A pesquisa aplicou questionários com gestores, engenheiros e líderes de recursos humanos. Eles avaliaram como as empresas desenvolvem, aplicam e treinam funcionários no uso de equipamentos próprios.

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Os pesquisadores identificaram que equipamentos proprietários per si não geram impacto diretamente no desempenho ou na inovação de produtos. No entanto, quando utilizados para antecipar tendências tecnológicas e aliados a programas de treinamento, eles se tornam uma poderosa arma competitiva.

Um exemplo vem do modelo japonês de empresas como a Toyota, que mantêm há décadas a natureza proprietária de vários de seus recursos internos. Ao construir seus próprios equipamentos, acumulam conhecimento estratégico que, de outra forma, ficaria nas mãos dos fornecedores.

A pesquisa reforça que a capacidade absortiva — ou seja, a habilidade de aprender e aplicar novos conhecimentos — é o que transforma o potencial do equipamento em resultado real. Isso ocorre por meio de um ciclo duplo: identificar novas tecnologias e capacitar a equipe para integrá-las às operações.

Treinamento como elo central da inovação na indústria

Os dados mostraram que treinamento influencia diretamente a relação entre novas tecnologias e desempenho, assim como entre novas tecnologias e inovação. Ou seja, não basta adotar o que há de mais moderno: é preciso preparar as pessoas para compreender, adaptar e difundir o novo conhecimento.

Essa lógica conecta diretamente o desenvolvimento interno de equipamentos com os avanços da Indústria 4.0. Empresas que investem em treinamento constante conseguem não só prever tendências, mas também aplicar tecnologias de forma integrada às suas operações, garantindo maior eficiência e diferenciação frente à concorrência.

A grande mensagem do estudo é: equipamento proprietário sozinho não é a flecha que garante o acerto do alvo. O verdadeiro diferencial competitivo vem da combinação entre tecnologia própria, antecipação de tendências e treinamento estruturado.

Assim, gestores da área industrial que buscam criar vantagem competitiva duradoura precisam olhar para além da aquisição de máquinas e focar em como preparar suas equipes para absorver e aplicar novos conhecimentos. Ao transformar seus equipamentos em instrumentos de aprendizagem contínua, as empresas ampliam sua capacidade de inovação e criam barreiras difíceis de serem copiadas pelos concorrentes.

Leia o artigo na integra.

Nota: alguns artigos podem apresentar restrições de acesso.

Tags: Capacidade absortivaEquipamento proprietárioEstratégia de operaçõesindústria 4.0inovaçãomanufaturaNovas tecnologiasODS 9treinamentovantagem competitiva
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