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Blog Impacto - FGV EAESP Pesquisa
Home Administração pública

Diretores escolares eleitos com base em critérios técnicos tendem a exercer uma melhor liderança

7 de junho de 2021
Diretores escolares eleitos com base em critérios técnicos tendem a exercer uma melhor liderança

Imagem: Kelly Sikkema / Unsplash

Resumo da pesquisa

  • Pesquisa da FGV analisou como a forma de escolha de diretores nas escolas impacta clima e gestão escolar
  • Seleção de diretores por indicação sem considerar  critérios técnicos  diminui as chances de garantir um ambiente educacional propício à cooperação
  • Ter  pós-graduação, ser mulher e ter experiência de 11 a 15 anos no cargo na mesma escola também são fatores que  impactam  na percepção de clima escolar e liderança

Pesquisador(es):

Bruno Assis
Nelson Marconi

Confira a pesquisa na íntegra na RAP.

Os anos de 2020 e 2021 trouxeram desafios inéditos para os diretores escolares do mundo todo, o que exigiu destes profissionais muito mais competência e habilidades na gestão escolar. Uma pesquisa inédita da FGV EAESP, publicada na Revista de Administração Pública (RAP) revela que escolher esses gestores escolares com base em critérios técnicos de mérito e desempenho favorece a sua liderança e, ao mesmo tempo, leva a um clima escolar mais cooperativo.

A pesquisa concluiu que duas modalidades de escolha de diretores estão associadas positivamente aos indicadores de liderança e de clima escolar: o concurso público e o processo seletivo com eleição. Em contrapartida, as chances de garantir um ambiente educacional propício à cooperação e em atingir os objetivos pedagógicos alinhados ao Plano Nacional de Educação (PNE) é menor quando a seleção acontece apenas por indicação, desconsiderando critérios técnicos e/ou participativos.

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Para chegar a essas conclusões, os autores analisaram microdados do questionário do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) entre os anos de 2013 e 2015 em escolas públicas estaduais, além de consultarem as legislações de provimento ao cargo de diretor nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal.

As maiores médias de clima escolar, expressão que refere-se a um ambiente de cooperação voltado ao processo de ensino e aprendizagem, foram observadas nos estados onde predominavam os critérios técnicos e/ou participativos de seleção de diretores, como nos estados do Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo. Já os processos baseados apenas em indicação prevalecem nos estados que registraram os menores valores de clima, como no Pará, Sergipe e Santa Catarina, ainda que a legislação previsse outras modalidades de seleção. Padrão semelhante foi percebido ao analisar a liderança da direção, sendo que os maiores impactos do processo de escolha do diretor sobre essa variável foram registrados em Goiás e Pernambuco, onde havia o predomínio do processo seletivo com eleição, segundo as respostas dos diretores.

A “indicação apenas” foi a modalidade mais comum nos quatro estados (Pará, Sergipe, Amapá e Roraima), onde foram observados os menores impactos do processo de escolha do diretor sobre a percepção de liderança escolar por parte dos mesmos, ainda que as leis também estabeleçam outras formas de seleção.

Provimento ao Cargo de Diretor por Modalidade no Saeb 2013 e 2015 em escolas estaduais

Fonte: elaborado pelos pesquisadores

Outras questões contextuais, como a formação profissional em pós-graduação, a experiência de 11 a 15 anos no cargo na mesma escola e o gênero feminino das diretoras também foram variáveis que tiveram influência na percepção de clima escolar e liderança, ressaltam os autores.

Os resultados ajudam a entender como políticas de seleção de diretores, quando bem desenhadas e executadas, podem gerar melhores resultados educacionais nas escolas.

A percepção dos autores do estudo é que os gestores escolares assumiram papel importante durante a pandemia de Covid-19, diante das condições muito distintas entre as escolas brasileiras. “Na pandemia, os desafios educacionais são ainda maiores para reduzir o risco de evasão escolar, a defasagem na aprendizagem e a distorção idade-ano dos estudantes”, contextualiza Nelson Marconi, um dos autores do estudo.  Bruno Assis, que também assina o estudo, reforça que diretores “atuaram para garantir condições sanitárias aos alunos e profissionais da educação em encontros presenciais, priorizar conteúdos essenciais do currículo, além de  definir estratégias pedagógicas para que os estudantes tivessem igualdade de condições de acesso ao material didático e recursos digitais no ensino remoto”.

Ambos os autores concordam que é fundamental que o foco da gestão escolar aconteça não apenas visando o desempenho acadêmico, mas também criando condições favoráveis para todos que fazem parte do sistema educacional. “Mais do que nunca, é necessário que os diretores e as diretoras escolares tenham as competências e habilidades apropriadas para lidar com os desafios prioritários no atual contexto de crise, que variam entre os estados e municípios”, concluem.

Confira a pesquisa na íntegra na RAP.

Tags: ambiente educacionalclima escolarcompetênciadiretores escolareseducaçãoescolas estaduaisgestão escolargestão públicagestão pública da educaçãohabilidadeliderançapercepção
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